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Psicologia
Adriana Campos Licenciada em Psicologia, pela Universidade do Porto, na área de Consulta Psicológica de Jovens e Adultos, e mestre em Psicologia Escolar. Concluiu vários cursos de especialização na área da Psicologia, entre os quais um curso de pós-graduação em Psicopatologia do Desenvolvimento, na UCAE. Actualmente, é psicóloga na escola E B 2/3 de Leça da Palmeira, para além de dinamizar acções de formação em diversas áreas.
Geração ritalina
Adriana Campos| 2007-06-13
O grande aumento no consumo destas substâncias verificou-se em 2004, quando a venda destes medicamentos deixou de pertencer ao domínio das farmácias de certos hospitais e passou a fazer-se em qualquer farmácia.
"Gostava que abordassem o tema "geração ritalina" (ritalin generation). Começa a dar os seus primeiros passos nos EUA com os School Shootings".
Paulo Abrantes

"A prescrição de medicamentos para tratamento da Perturbação da Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA) aumentou, em todo o mundo, 274%, entre 1993 e 2003. O número de países que começaram a recorrer a este tipo de drogas subiu de 31 para 55. Os dados foram publicados no jornal americano Health Affairs. Uma em cada 25 crianças e adolescentes norte-americanos estão a ser medicamentado para PHDA.
Calcula-se que em Portugal entre seis e oito mil crianças e adolescentes estejam a tomar este tipo de medicação (números de 2006, com base nas vendas). Em 2004, estimava-se que três mil crianças tomassem medicamentos para PHDA, enquanto que em 2003 eram apenas 400.
"
Revista Pais & Filhos. Edição de Maio de 2007. Pág. 102

Metilfenidato é o nome químico de ritalina e concerta, psicoestimulantes usados no tratamento da Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA). O grande aumento no consumo destas substâncias verificou-se em 2004, quando a venda destes medicamentos deixou de pertencer ao domínio das farmácias de certos hospitais e passou a fazer-se em qualquer farmácia. Antes de explorar melhor o significado deste crescimento estrondoso na prescrição de ritalina, parece-me fundamental explorar melhor o que é que diferencia o cérebro de uma criança hiperactiva do das outras ditas não hiperactivas. A PHDA, segundo estudos realizados, é uma perturbação do desenvolvimento infantil com base neurobiológica, na medida em que os lobos frontais, que são responsáveis por funções executivas, tais como a atenção, a capacidade de antecipar consequências e organizar tarefas, apresentam certas alterações. Estas alterações estão associadas ao facto de a dopamina, que é um neurotransmissor, apresentar níveis inferiores aos normais, o que dificulta a comunicação entre as células. Ao prescrever o metilfenidato, pretende-se aumentar os níveis de dopamina e, consequentemente, melhorar o grau de funcionalidade dos lobos frontais. Esta melhoria, segundo o folheto informativo do concerta, traduz-se pelo aumento da atenção e pela diminuição da impulsividade e da hiperactividade, em doentes com Perturbação de Hiperactividade e Deficiência de Atenção.

A grande questão que se coloca é se existem actualmente mais crianças com PHDA do que antigamente. Sendo esta uma perturbação com uma componente biológica, a sua incidência é, com certeza, a mesma que no passado (cerca de 3% a 5%); o que aumentou foi a capacidade de diagnóstico desta patologia. A quantidade de informação que tem sido divulgada sobre esta problemática é verdadeiramente astronómica, o que conduz a um maior conhecimento e uma maior atenção e sensibilidade por parte das pessoas em geral e dos técnicos em particular para a sua identificação. Note-se, no entanto, que o excesso de informação pode também ter um efeito perverso, pois pode gerar confusão e, consequentemente, falsos diagnósticos de PHDA, pois em cada esquina parece existir um "especialista" nesta área. Só é possível efectuar um diagnóstico preciso quando vários sintomas persistirem por mais de seis meses, em diferentes contextos: familiar, escolar e extra-escolar. Para evitar diagnósticos precipitados é, por vezes, necessário que a criança seja avaliada por uma equipa pluridisciplinar, constituída por pediatra, psiquiatra, psicólogo e técnico do ensino especial. A informação fornecida pelos pais e pelos professores, mediante o preenchimento de um questionário relacionado com o comportamento da criança, é também fundamental para a realização de um diagnóstico correcto.

Para além do que já foi exposto, existem muitas outras questões às quais é importante dar resposta, tais como: A existência de um fenómeno de "sobrediagnóstico" relativamente à PHDA é uma hipótese a desprezar? Haverá uma procura excessiva e um uso abusivo de metilfenidato? Haverão efeitos secundários a curto e a longo prazo em resultado da ingestão de ritalina? A acção do metilfenidato leva à cura da hiperactividade? Procurarei dar resposta a estas questões brevemente.


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COMENTÁRIOS DE UTILIZADORES
há efeitos...
Há graves efeitos secundários e de abstinência que poderão ser irreversíveis provocando Brain Damage como uma abstinência ao álcool por exemplo... Ritalina actua na dopamina, os hiperactivos têm dopamina a menos. Eu gostava então de saber que testes é que estas crianças fazem para se confirmarem os baixos níveis de dopamina, é que eu assisti à prescrição de Ritalina várias vezes e não vi nenhum teste à dopamina feito. Terapia meus senhores Terapia e só em casos muito graves Ritalina, estas crianças têm o seu futuro muito negro!!!
Brick Laden, País triste
28.06.2007
Diagnósticos... há muitos.
Respondendo ao comentário ¿PHDA ou EDE?¿, convém referir que o inverso é muitas vezes verdade pelo que me parece, no mínimo, abusivo considerar que ¿na sua maioria, são crianças e jovens que desconhecem ou não pretendem pôr em prática regras básicas de conduta em sociedade¿. Muitos jovens não põem em prática regras básicas, não porque as desconheçam ou não pretendam, mas porque são incapazes de o fazer por inibição da capacidade de autocontrolo. Na realidade, se, por um lado, existe o perigo de existirem diagnósticos errados, não é menos verdade que este erro persiste não apenas na concretização do diagnóstico de uma quadro de PHDA mas, também, nos ¿diagnósticos¿ de falta de educação e de respeito.
Manuel Paulo Ferreira Pereira, Coimbra
14.06.2007
Excesso de medicação
Julgo que muitos educadores tendem hoje em dia por seguir o caminho mais fácil, que na minha opinião, é o da medicação. Estou a falar em geral e não só do exposto neste artigo. A medicação tem habituação e efeitos secundários que a médio/longo prazo podem ser ireverssiveis! Dêem amor e carinho às crianças, e só em última, mas mesmo última instância medicação...
Maria Seque, Sassoeiros
14.06.2007
Excesso de medicação
Julgo que muitos educadores tendem hoje em dia por seguir o caminho mais fácil, que na minha opinião, é o da medicação. Estou a falar em geral e não só do exposto neste artigo. A medicação tem habituação e efeitos secundários que a médio/longo prazo podem ser ireverssiveis! Dêem amor e carinho às crianças, e só em última, mas mesmo última instância medicação...
Maria Seque, Sassoeiros
14.06.2007
PHDA ou EDE?
No âmbito da Educação Especial e dos Apoios Educativos, há ainda muito por fazer em Portugal. Comece-se por saber distinguir entre um aluno com PHDA e um aluno com falta de regras de educação e conduta. O que se verifica na sala de aula e no trabalho com estes alunos em particular é que, na sua maioria, são crianças e jovens que desconhecem ou não pretendem pôr em prática regras básicas de conduta em sociedade. É bem mais fácil para todos (principalmente os pais) "rotulá-los" com PHDA pois, assim, tornam-se facilmente desculpáveis os erros de educação (EDE).
Maria Alexandra Silva, Leiria
14.06.2007
ritalina em contexto escolar
O artigo põe imensas questões. Para tocar em todas, não teria espaço. Vou, por isso, reter-me em duas: 1. O aumento do diagnóstico: esta síndrome é mais notória e mais problemática em ambiente escolar: aumentando a escolaridade e os escolarizáveis, o seu impacto é maior. 2. Se haverá efeitos secundários: esta é uma problemática médica. Entregue aos leigos é pura futurologia.
Idalina  Jorge, Oeiras
14.06.2007
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