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Nutrição
Paula Veloso Nutricionista e autora de Dietas sem DietaDieta sem Castigo.
Excesso de peso/obesidade nas crianças: dicas para ajudar os pais
Paula Veloso| 2009-01-14
Se a criança tiver um ligeiro excesso de peso, muitas vezes basta aumentar a sua actividade física para que o mesmo estabilize ou desça.
A pedido de vários leitores, trago hoje aqui alguns conselhos que os pais deverão pôr em prática para ajudarem os seus filhos a perder, manter ou atingir um peso saudável.

Não valerá a pena voltar a insistir nas consequências para a saúde de ter peso em excesso nem na probabilidade de estas crianças poderem ter menor esperança de vida e morrer até antes de os seus pais. Quase todos os dias essas notícias entram-nos em casa via canais audiovisuais.

Mas valerá a pena voltar a insistir na necessidade de se fazer um rastreio do IMC (Índice de Massa Corporal), que estabelece a relação (proporção) entre o peso e a altura, para que se esclareça se uma criança é ou não é obesa.

Porque, eu diria, na maior parte dos casos, os pais e os avós acham os filhos gordinhos ou fortes, mas nunca obesos!

Por isso, a primeira coisa a fazer é medir e pesar a criança e determinar o seu IMC, dividindo o seu peso (em kg) pelo quadrado da sua altura (em metros): [IMC = Peso/(altura x altura)].

Achado esse valor de IMC, é necessário compará-lo numa tabela apropriada "Percentis de Índice de Massa Corporal em Função da Idade". Se a criança tiver um ligeiro excesso de peso, muitas vezes basta aumentar a sua actividade física para que o mesmo estabilize ou desça. Em fases de crescimento activo, é muito fácil reverter este processo se se intervier atempadamente, uma vez que o aumento rápido da estatura, não acompanhado por um aumento de peso, poderá, por si só, normalizar o IMC.

Mas em muitos outros casos não chega aumentar apenas a actividade física uma vez que esta não é feita diariamente e os (maus) hábitos alimentares são diários, contribuindo para uma ingestão de calorias muito superior às necessidades e gastos da criança.

Se o aumento de peso se deve a um desequilíbrio energético, em que as calorias que entram são superiores às que "saem", para o corrigir é preciso por um lado ingerir menos e por outro queimar mais calorias.

Como ingerir menos e gastar mais calorias
Está comprovado cientificamente que não tomar o pequeno-almoço contribui, para além de menores índices de atenção e rendimento escolares, para uma ingestão pouco controlada de alimentos durante o resto do dia, e tendencialmente de grande densidade calórica.

O pequeno-almoço é obrigatório para grandes e pequenos. Quando os pais não dão o exemplo, é normal que os filhos não o façam também! Se não houver muita fome logo ao acordar, podem levar para comer pelo caminho um iogurte ou um pacote de leite e uma banana, por exemplo, por serem fáceis de transportar.

Se o intervalo entre o pequeno-almoço e o almoço for superior a três horas, é obrigatório comer qualquer coisa a meio da manhã. Qualquer coisa no sentido de ser pouco, não a primeira coisa que nos aparecer à frente. Meio pão ou um pão (conforme a idade) com queijo, compota ou fiambre, bolachas tipo Maria, torrada, água e sal ou integral, uma peça de fruta ou um sumo de fruta natural (nada de refrigerantes!), um copo de leite ou um iogurte são boas opções.

A água deve ser o líquido de eleição. Os refrigerantes engordam e não tiram a sede. Obrigue a escola a ter água gratuita à disposição dos alunos. É um escândalo vender, sem outra alternativa, um bem absolutamente indispensável à vida. Além de que, pensam, já que vão gastar dinheiro porque não comprar "água com sabor"?

Controle o que as crianças comem na escola através de senhas de alimentos pré-compradas, que muitas escolas já possuem.

Não tenha em casa alimentos que sabe terem muitas calorias e muito pouco interesse para a saúde: batatas fritas, aperitivos salgados e cheios de gordura, sumos que não sejam 100%, chocolates, gomas, etc, etc.
 
E para não os trazer para casa: nunca vá às compras com fome, faça uma lista do que vai comprar e evite levar as crianças consigo. Se não conseguir evitar que elas o acompanhem, saiba resistir aos pedidos suscitados pela publicidade. Não se esqueça de que a educação inclui a educação alimentar e que ceder aos seus pedidos demite-nos dessa função. Filhos bem-educados e bem-formados mas sem saúde não terão certamente grande futuro...

As compras da casa têm que depender dos pais porque as crianças só comem o que tiverem para comer. Não vão sozinhas fazer compras. Também aqui o papel dos pais é fundamental. Ter alimentos em casa para seu consumo e dizer às crianças "isto não é para ti porque estás gordo" é uma forma demasiado cruel de abordar a obesidade.

Pode oferecer-lhe um ou dois desses alimentos ao fim-de-semana para que percebam que não devem ser consumidos diariamente mas que não são proibidos.

As crianças poderão fazer dois pequenos lanches durante a tarde, desde que o intervalo entre o almoço e o jantar seja superior a seis horas. Poderão ter uma composição semelhante à da merenda da manhã.

Nas refeições principais, pais e filhos devem começar por comer um prato de sopa de legumes. Com muito volume e poucas calorias, é o alimento ideal para saciar sem engordar. O segundo prato, seguramente mais calórico, já não terá tanto espaço...

Poderão também comer a fruta antes da sopa. Aproveitando a altura de maior apetite, é uma boa maneira de fazer com que as crianças a comam ao mesmo tempo que vão ficando saciadas.

Em vez de ir sozinho ao ginásio, programe actividades conjuntas com os seus filhos: caminhar, andar de bicicleta, jogar ténis ou badmínton, dançar. Se eles são adeptos da playstation, podem divertir-se com os jogos do eyetoy que obrigam todos a mexer-se.

Importante: o sucesso da perda de peso do seu filho depende quase exclusivamente de si. Para o conseguir é necessário muitas vezes abdicar de alguns alimentos e bebidas em casa no dia-a-dia e adoptar, também você, hábitos alimentares saudáveis.

Mas julgo que, no fim, sentir-se-á recompensado pelo bem que lhe fez. Não é isso, afinal, o que todos queremos para os nossos filhos?
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