| Quando as crianças recusam vegetais |
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| Paula Veloso| 2008-08-20 |
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| Recebo, com alguma frequência, queixas de que as crianças se recusam a comer vegetais ou produtos hortícolas, alimentos de indiscutível valor nutricional e que deviam ser incluídos na alimentação, pelo menos, duas vezes por dia. |
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Recebo, com alguma frequência, queixas de que as crianças se recusam a comer vegetais ou produtos hortícolas, alimentos de indiscutível valor nutricional e que deviam ser incluídos na alimentação, pelo menos, duas vezes por dia.
Mas porque se recusam os mais pequenos a comer estes alimentos, que até deveriam ser apelativos pelo seu aspecto cromático?
Embora possa haver várias causas, as mais comuns parecem ser:
1. Até a criança iniciar a alimentação familiar, quase todos os alimentos que incluem legumes são triturados, transformando-se em papas que além de estimularem a preguiça para mastigar não permitem individualizar os sabores e as texturas próprios de cada alimento.
Solução: À medida que vai diversificando a alimentação da criança, inclua os produtos hortícolas partidos em pedaços pequeninos, apresentando-os com formas divertidas e coloridas, para que a criança lhes possa pegar com a mão. Lembre-se que para abrir o apetite, é importante estimular sentidos como a visão, o olfacto, o gosto e o tacto.
2. A sopa é um excelente meio para as crianças comerem legumes, pois inclui um pouco de tudo, o que a torna bastante nutritiva, e é triturada, permitindo que seja ingerida mais rapidamente. Isso torna-a igual ao longo dos dias, levando à saturação e à recusa em comê-la. Se a acrescentar a tudo isto, os próprios pais não comerem sopa, será mais uma razão para os mais pequenos a rejeitarem.
Solução: Faça sopas diferentes, mudando a base e a hortaliça sobrenadante. Evite repetir a mesma sopa mais do que dois dias seguidos. Os legumes devem ser partidos em pedaços muito pequenos e se mesmo assim a criança os rejeitar, triture-os - é preferível que os coma triturados do que simplesmente não os comer. Os pais devem incluir a sopa no início do almoço e do jantar, uma vez que as crianças precisam de modelos de aprendizagem. Se não derem o exemplo, dificilmente conseguirão que as crianças o façam.
3. As crianças não são atraídas pelos legumes que habitualmente se apresentam como acompanhamento no prato, como tomates, brócolos, cenouras, pimentos ou feijão verde, entre outros.
Solução: Os legumes devem ser consumidos independentemente da forma que assumem no prato. Se a técnica de os partir em pedacinhos não resultar, pique-os bem e incorpore-os em massas, arroz, jardineiras ou molhos de piza.
É preciso ir experimentando várias formas de apresentar os vegetais - muitas vezes as crianças não comem a cenoura se for raspada porque fica um pouco seca, mas se a mesma for preparada numa picadora, fica mais sumarenta e mais adocicada, tornando-se mais fácil de mastigar -, e incentivar à sua prova, não esquecendo que o exemplo tem de vir de cima...
4. As leguminosas como o grão, o feijão, as favas, as ervilhas ou as lentilhas têm um importante valor nutricional. No entanto, isso por si só não chega para as crianças as comerem.
Solução: Se não as quiserem comer inteiras, experimente inclui-las na base da sopa, bem trituradas (ou mesmo coadas, para não se sentirem as "cascas"), ou transformá-las em puré para acompanhamento de carnes, peixes, arroz ou massas.
Os vegetais pertencem ao mesmo grupo dos frutos e têm em comum o facto de serem importantes fornecedores de vitaminas, minerais e fibras alimentares. Se, apesar da enorme variedade de vegetais existentes, não conseguir que o seu filho coma a quantidade de ideal para sua idade(*), poderá substitui-los por peças de fruta variadas que, além da vulgar sobremesa, podem também fazer parte de batidos de leite ou de iogurte e ser incorporadas em massas, pizas, etc.
(*) ver Dieta sem Castigo - Paula Veloso, Porto Editora |
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