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Sexta-feira, 30 de Julho de 2010
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Notícias
Especialistas contra método CIF
Teresa Sousa| 2007-04-18
Os especialistas em educação especial rejeitam um modelo de classificação das necessidades educativas unicamente clínico, que ignora o contexto educativo, confunde deficiência com NEE e não está adaptado às crianças.
A tomada de posição pública dos especialistas em educação especial contra o método utilizado pelo Ministério da Educação (ME) na identificação das crianças com Necessidades Educativas Especiais (NEE) lançou o assunto para a actualidade noticiosa. Em declarações à comunicação social, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, garante que o processo está a ser coordenado por peritos, mas os académicos insurgem-se contra o uso da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), um instrumento técnico, afirmam, "direccionado para adultos, que confunde deficiência com NEE".

As críticas à política do Governo para o ensino especial acentuaram-se no início deste ano lectivo, com a entrada no terreno das novas regras para distribuição de professores de apoios educativos pelas escolas do país. O assunto foi, na altura, alvo de contestação por parte de sindicatos, pais e professores. De acordo com o novo esquema de afectação de docentes, os professores destinados ao ensino especial deixam de ser destacados anualmente, para concorrer a um quadro próprio e às vagas previamente determinadas pelo ME.

A controvérsia teve justamente origem no número de vagas disponíveis para as necessidades existentes e nos critérios apurados para a determinação dessas vagas. Numa carta aberta dirigida à ministra da Educação, o especialista em educação especial da Universidade do Minho Luís de Miranda Correia critica a taxa de prevalência de NEE apresentada pela Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC), que, segundo afirma o investigador, é de apenas 1,8%. Luís de Miranda Correia estranha o número obtido pela tutela, quando "todos os estudos de prevalência efectuados noutros países apontam para prevalências na ordem dos 10% a 12%. O que leva este professor a concluir que "tendo em conta que a população estudantil [em Portugal] é de cerca de 1 500 000 alunos e considerando apenas a prevalência de 10%, há mais de 100 000 alunos com NEE entregues à sua sorte".

Ora, os especialistas divergem do Ministério quanto ao método utilizado para a identificação das necessidades. Segundo Miranda Correia, ao recorrer ao CIF, a DGIDC "comete mais um erro de palmatória". A opinião do investigador é, de resto, partilhada pelo Fórum de Estudos de Educação Inclusiva (FEEI) - ver entrevista do presidente do Fórum ao EDUCARE.PT -, que, numa tomada de posição sobre o CIF, rejeita este método na identificação de alunos com NEE. No documento, que foi subscrito por 19 instituições do Ensino Superior do país, o FEEI defende que "usar uma classificação de funcionalidade oriunda da saúde para efeitos educacionais pode tornar-se problemático". Sendo que a CIF é um instrumento clínico, para a identificação de uma deficiência. "Sabe-se que quem tem uma condição de deficiência pode não ter NEE e vice-versa, ou seja, as NEE não ocorrem só em pessoas com condição de deficiência", conclui-se, nesta tomada de posição.

O FEEI vai mais longe, ao acusar o ME de aplicar um método em condições que a própria CIF não contempla. Isto porque "a adaptação da CIF para crianças e jovens não é ainda do domínio público e não pode, portanto, ser usada pelos técnicos".

Em resposta a estas críticas, a ministra da Educação defendeu-se, afirmando que está a ser preparada nova legislação sobre o ensino especial e que o objectivo do Governo é "proporcionar as melhores condições de ensino e aprendizagem a todas as crianças", acrescentando que todo o processo está a ser coordenado por peritos na matéria. A decisão de se proceder à revisão da regulamentação legal em vigor foi legitimada pela Conferência Nacional de Educação Especial, que ocorreu em Maio do ano passado. Contudo, David Rodrigues, em entrevista ao EDUCARE.PT, considera que o ME se limitou a informar sobre as medidas a tomar e não a discuti-las.

Num aspecto, pelo menos, especialistas e Governo parecem estar de acordo. Tanto David Rodrigues como Luís de Miranda Correia assumem a importância de se elaborar uma só peça legislativa, que dê suporte a um modelo de educação especial.
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COMENTÁRIOS
continuação
A sua campanha anti-tudo que a sua visão académica não lhes permitisse entender foi agora traduzida para a política, de forma medíocre e mesmo canhestra. Mostram a sua indignação, porque há que reconhecer que são inteligentes e bem formados. Sejam benvindos. Mas não se esqueçam que é preciso adoptar outra estratégia. Sobretudo, é indispensável que alarguem os seus horizontes de reflexão à necessidade de reorganizar o sistema de apoio às escolas, nos processos complexos de tomada de decisão, com equipas educativas locais; á necessidade de reorganizar a vida quotidiana das escolas, de forma a potenciar os seus recursos para a implementação de programas de apoio à aprendizagem, etc. Acima de tudo, precisam de abandonar a guerra dos números, a respeito dos alunos com NEE, porque quanto mais quiserem legitimar a sua posição com os números mais favorecerão a perspectiva que aparentemente criticam.
Jorge  Barbosa, 
19.04.2007
A Indignação
O problema que, agora de forma mais evidente, é colocado pela adopção da CIF como critério unitário de classificação de alunos para acesso a serviços especializados na área da educação, tem barbas. E nem sempre alguns dos agora indignados especialistas contribuiram positivamente para a adopção e solidificação de critérios educativos no processo de identificação de necessidades educativas. Com efeito, houve quem se batesse empenhadamente para que fossem destruídas todas as bases organizacionais que promovessem a adopção de critérios educativos e sociais. Houve quem propusesse critérios e procedimentos rigorosamente tão criticáveis como aqueles que agora tanto criticam, isto é, critérios clínicos que, como se sabe, não são exclusivos da prática médica.
Jorge  Barbosa, 
19.04.2007
Intervir,mais que classificar
Mais que classificar pela CIF é preciso intervir junto dos alunos com NEE. O que o ME pretende, é contrariar os números, daí atacar a prevalência das NEE, dizendo que se situam em 1.8%, quando todos sabemos estão é de 10 a 12%. Tenta-se justificar assim os milhares de alunos com NEE que não estão a ser -devidamente - atendidos por este país fora! Faz falta é INTERVIR em REDE, disponibilizando recursos humanos, materiais e financeiros e não andar-se por aí com reuniões-puramente-administrativas a fazer lavagem ao cérebro às pessoas! A Educação Especial não se trata com um golpe mágico duma engenharia qualquer!
Eduardo Alves, Vila Real
19.04.2007
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