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Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010
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"Ciganos vivem a escola como exercício de corda bamba"
Nuno F. Santos| 2010-07-26
Estudo-base de uma tese de mestrado acompanhou durante cerca de dois anos jovens ciganos numa escola da Área Metropolitana do Porto.
"A resistência da comunidade cigana em relação à Escola tem vindo a modificar-se progressivamente." Esta é uma das conclusões do estudo realizado pela docente Maria de Fátima Loureiro, no âmbito da sua tese de mestrado, intitulada Jovens Ciganos e Ciganas - um diferente olhar face à Escola.

No decorrer do referido estudo, a que o Educare teve acesso, cerca de uma dezena de alunos do 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico foram acompanhados através daquilo a que se designa de "trabalho de matriz marcadamente etnográfica" entre Outubro de 2007 e Março de 2009. A observação dos jovens alunos passou por um estabelecimento de ensino da Área Metropolitana do Porto e pelo bairro onde vivem. Para Maria de Fátima Loureiro, "o facto de ter circulado por estes dois contextos espaciais distintos possibilitou uma escuta mais alargada e plural, tendo em conta que as opiniões e respostas são influenciadas pelo contexto espacial onde são proferidas".

Por entre os jovens observados há opiniões diferentes. O Afonso, por exemplo, diz que "as aulas estão em primeiro" e só falta quando está doente. Já o António ressalva que gosta da "Ginástica" e só frequenta as outras aulas porque, segundo ele, caso saísse, teria de frequentar um colégio interno.

Os discursos destes alunos revelam paradoxos que se tornaram "interessantes" para Maria de Fátima Loureiro, que argumenta: "Se por um lado a escola é um local que os sufoca fisicamente é, por outro, um lugar aprazível e veículo de ascensão social". E acrescenta: "Estes jovens vivem a escola como um exercício de ?corda bamba', na qual podem ou não manter-se, dependendo das relações de afecto ou desafecto que vão mantendo com a instituição escolar e que resultam, muitas vezes, de uma espécie de pseudoeducação multicultural vigente".

Consensual no seio da comunidade docente é a opinião de que a minoria étnica referida é "bastante enclausurada em si mesma, o que em nada contribui para uma comunicação mais eficaz e eficiente entre todas as partes que integram o sistema educativo". No entanto, em muitos dos casos o conhecimento superficial e os estigmas são, também segundo o estudo, "font_tage de uma tensão que se traduz em acusações de parte a parte, relativamente à falta de vontade de mudar hábitos instalados e incompreendidos pelos diferentes pares envolvidos".

A forma como os alunos de etnia cigana reagem ao espaço físico escolar revela a forma como se sentem e como se imaginam posicionados socialmente: enquanto no decorrer das aulas procuram, com frequência, os lugares do fundo que lhes oferecem uma menor exposição quando confrontados com o nível de conhecimento, tanto do corpo docente como dos colegas de turma, durante os intervalos assumem, regularmente, uma atitude de desafio contrária à que revelam na sala de aula.

Ao Educare, Fátima Loureiro reforça "a dificuldade da escola em encontrar situações de igualdade que contribuam para uma melhoria efectiva das condições de vida dos ciganos". E é dessa dificuldade que resultam dois aspectos que se interligam: "a diversidade cultural na escola e diversos processos de desigualdade social".

Em Jovens ciganos e ciganas - um diferente Olhar face à Escola o estabelecimento de ensino é um "espaço onde convive a diferença" e tal facto é unanimemente reconhecido. Mas há igualmente um alerta: "Os agentes responsáveis por levar adiante o trabalho pedagógico, incluindo órgãos de direcção pedagógica e docentes, não devem descuidar as especificidades culturais cada vez mais presentes em contexto educativo."

A escola assume um papel de destaque positivo ao proporcionar uma espécie de emancipação feminina face ao poder patriarcal. O uso de calças, abdicar do cabelo tão comprido como as mulheres mais velhas, ambicionar frequentar a escola e ter uma carreira profissional são disso mesmo exemplo. Ou seja, existe concretamente um maior investimento das "raparigas" na escola.

Entre aspectos positivos e negativos é notório que o sistema de ensino tenta integrar todos os elementos, mas nem sempre dispõe de condições ou capacidade para o fazer. A etnia cigana, na generalidade, ainda abandona precocemente a escola e merece análise mais empenhada. Isto, tendo em conta que se trata de um caso transversal às preocupações da própria Organização Internacional da Educação.


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COMENTÁRIOS
Ciganos???
Os ciganos não vivem a escola, vivem da escola, porque se não receberem algo em troca, está passa-lhes ao lado.
jose antonio  couto, grijo
29.07.2010
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