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Notícias
Professores saíram à rua vestidos de negro
| 2009-09-21
Dezenas de professores vestiram-se de negro numa iniciativa de rua em Lisboa para contestar a política educativa do Governo e dizer que "não querem o PS de Sócrates".
"Queremos mostrar que a política educativa deste Governo foi ruinosa", disse Octávio Gonçalves, do Movimento Promova, um dos três movimentos independentes de professores.
O Movimento Mobilização e Unidade dos Professores (MUP) e o Movimento APEDE são as outras duas organizações que agendaram este protesto.

Vestidos de negro, os docentes concentraram-se em três locais de Lisboa que consideram emblemáticos das mensagens que pretendem transmitir - Ministério da Educação, Palácio de Belém e Assembleia da República - para depois se reunirem num único local para realizar um minuto de silêncio.

Em relação ao Presidente da República, os professores pretendem mostrar o seu "claro descontentamento" com a forma como Cavaco Silva tem conduzido a sua intervenção no campo da educação.

Já no que respeita ao Ministério da Educação a mensagem foi destinada à ministra Maria de Lurdes Rodrigues e aos secretários de Estado Valter Lemos e Jorge Pedreira, mas também ao primeiro-ministro, José Sócrates.

A Assembleia da República, terceiro ponto de concentração, foi o local escolhido para no final todos se concentrarem e realizarem um minuto de silêncio de "repúdio das políticas educativas do Governo de José Sócrates".

O Parlamento, segundo Octávio Gonçalves, representa a expectativa e um compromisso em relação ao futuro da educação em Portugal.

Uma iniciativa deste género a uma semana das eleições, explicou, é intencional e pretende mostrar o que os professores pensam do actual Governo.
Para Octávio Gonçalves, o verdadeiro protesto dos professores vai ser no dia 27 de Setembro, dia das eleições legislativas.

"Não haja ilusões, a maioria dos professores não vai votar no PS de Sócrates", disse.

Esta intenção referida pelo dirigente do Promova era aliás uma das palavras escritas nas T-shirts negras que os docentes vestiram para participar na iniciativa.

"Adeus Milu, os professores não querem o PS de Sócrates" ou "Estou de Luto pela Educação" foram as frases escolhidas para as t-shirts negras.

Maria Cecília, professora de filosofia há mais de 20 anos, optou por trazer um cartaz pendurado no pescoço que assegura representar exactamente o que sente: "Calaram a Manuela Moura Guedes mas não calam os professores".

"É isto mesmo o que penso. Este Governo tentou e fez tudo contra os professores. Em mais de vinte anos de profissão nunca vivi momentos tão maus como este", adiantou.

Questionada sobre se a mudança de ministro que tutela a pasta da Educação seria uma solução, Maria Cecília respondeu: "Não quero nem esta ministra nem este Governo."

Ricardo Silva, coordenador da APEDE (outro dos movimentos), considera que a conflitualidade gerada nas escolas pela avaliação de desempenho e a divisão da carreira em duas categorias hierarquizadas, o fim da gestão democrática nos estabelecimentos de ensino, a precariedade e a "febre" do Governo com a melhoria das estatísticas são matéria suficiente para considerar que "a legislatura não trouxe nada de bom ao sector".

Após o minuto de silêncio, os cerca de 300 professores concentrados junto ao edifício da Assembleia da República gritaram que "os professores não esquecem" e que "não existe perdão para quem destrói a educação".
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