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| SPRC denuncia "casos caricatos" na colocação de docentes |
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| | 2009-09-23 |
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| O Sindicato dos Professores da Região Centro denunciou ontem casos de docentes com incapacidades ou necessidades especiais excluídos da colocação por destacamento, apelando para a sensibilidade do Ministério da Educação. |
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Os problemas na colocação de docentes com deficiência ou doença invalidante ou pessoas a seu cargo nestas condições "agravaram-se este ano", com as novas regras, que "deixaram à frente destes docentes outros 12 mil, colocados nos quadros de zona pedagógica", sustenta o Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC).
São cerca de 250 os docentes com necessidades específicas que viram recusado o pedido de destacamento, mas outros foram excluídos, "a maioria por motivos comezinhos, que não têm a ver com falsas declarações, como a falta de vinheta do médico", disse Vítor Godinho, dirigente do SPRC, em conferência de imprensa, em Coimbra.
"Há cinco anos que a Federação Nacional dos Professores (FENPROF) reclama a resolução definitiva do problema, com a abertura excepcional de quadros para docentes com deficiência física permanente ou doença invalidante e ou degenerativa", afirmou, sustentando que o Ministério da Educação "está ainda a tempo de resolver" o assunto.
Um dos casos denunciados é o de Fernando Pereira, que possui uma deficiência visual de 95%, mas viu recusado o destacamento para uma escola da área de residência, em Viseu, sendo obrigado a percorrer diariamente 50 quilómetros, para um estabelecimento de Nelas, onde integra o quadro de agrupamento.
Num testemunho emocionado, o docente disse que a exclusão foi baseada em "meia dúzia de situações caricatas" e frisou que "não é difícil provar" a sua incapacidade visual.
"Um dos motivos foi não ter apresentado uma declaração do hospital de Nelas, se calhar, toda a gente sabe que Nelas não tem hospital", afirmou, acusando o Ministério da Educação de estar "mais preocupado com papéis do que com as situações em si".
Outras das razões invocadas para a recusa do destacamento foram o facto de na declaração médica não constar a vinheta do clínico e terem sido assinaladas duas razões clínicas em vez de uma, ou seja, que possui doença incapacitante e necessidade de apoio específico (para deslocação).
"A situação é tão anormal que não tem explicação. Levei até ao limite as minhas tentativas (para compreender). Não posso conduzir, tenho de depender de boleias", disse.
A agravar a situação, sublinhou, a EB 2/3 Dr. Fortunato de Almeida, onde está colocado, em Nelas, tem "um fosso de mais de um metro no meio do átrio, para os alunos brincarem".
"Se a minha orientação falha, caio lá dentro", alertou o docente, que nos últimos três anos esteve destacado na Escola EB 2/3 Infante D. Henrique, em Viseu. Outro dos casos denunciados, num testemunho escrito, é o de uma docente colocada a 200 quilómetros de casa e que tem a seu cargo marido deficiente motor (70% de incapacidade) e dois filhos menores, um deles epiléptico. |
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| COMENTÁRIOS |
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Incompreensível...
Incompreensível... quase surreal, quando se pretende um ensino promovido por professores com maior experiência.
Há um caso em que a docente contratada, com oito anos de serviço, é ultrapassada por uma outra contratada, com menos tempo de serviço, apenas porque já tinha leccionado na escola em questão, durante um mês. A docente ultrapassada comentou tristemente "pois é, a colega é preferida porque leccionou um mês na escola, pois veja que eu estudei aqui dois anos..."
Coisas pouco compreensíveis...
Mário Ferreira, Guia
23.09.2009
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