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Requisitos para professores de Espanhol são transitórios
Lusa / EDUCARE| 2009-03-24
O Governo garante que os requisitos para os professores de Espanhol no concurso deste ano são transitórios e que visam colmatar a falta de docentes na área, bem como o aumento do número de alunos.
Segundo dados do Ministério da Educação, a que a Agência Lusa teve acesso, frequentam este ano lectivo a disciplina 36 662 alunos no Ensino Básico e 13 211 no Secundário, num total de 49 873. No ano lectivo anterior eram 30 407 e em 2004/05 5267.

Por outro lado, ficaram este ano por preencher 52 das 171 vagas/horários disponibilizados nas colocações residuais, 537 dos 569 lugares abertos nas cíclicas e 94 das 434 vagas disponíveis nas contratações de escola.

"É uma situação transitória que tem a ver com uma situação muito anormal: um crescimento absolutamente inacreditável de Espanhol e uma enorme falta de professores da língua", disse à Lusa o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos.

Assim, no concurso de recrutamento de professores deste ano, considera-se que a habilitação é conferida também aos docentes com uma qualificação profissional numa língua estrangeira e/ou português e que possuam na componente científica da sua formação a variante Espanhol ou o Diploma Espanhol de Língua Estrangeira (DELE), nível C2, do Instituto Cervantes.

Até agora, para a atribuição de habilitação profissional para a docência em qualquer grupo é preciso uma licenciatura atribuída por uma instituição do ensino superior, um número de créditos nas disciplinas que integram as áreas do conhecimento em que pretende profissionalizar-se como docente e ainda o grau de mestre em ensino nesse mesmo domínio docente.

Segundo o secretário de Estado da Educação, existem actualmente nos quadros 35 professores do grupo de recrutamento de Espanhol (350), mas o Governo vai abrir 220 vagas.

"Os professores com habilitação profissional que se candidataram [nas cíclicas, residuais e contratação de escola] durante este ano foram 170. Mesmo que todos se candidatem agora não conseguiríamos preencher as vagas que abrimos para os quadros", acrescentou Valter Lemos.

Durante o concurso que está a decorrer, que vai ditar as colocações para os próximos quatros anos, apenas "cinco" docentes se candidataram até agora aos quadros naquelas circunstâncias, estimando o secretário de Estado que venham a ser apenas "algumas dezenas".

"O nosso objectivo é tentar resolver o problema aproveitando ao máximo possível professores experientes e profissionalizados, por exemplo de Francês e Alemão, disciplinas que têm tido menos procura. Ficamos com mais alguns professores no sistema", sublinhou.

Valter Lemos reuniu ontem com responsáveis de todas as universidades que ministram formação de professores de Espanhol, que "se mostraram receptivos a este regime transitório".

"Comprometeram-se ainda a investir mais e a formar mais professores nesta área nos próximos anos e a abrir cursos para professores de outras línguas realizarem apenas a variante de Espanhol", disse, acrescentando: "Se esta progressão do número de alunos continuar, teremos 60 mil no próximo ano".

A Associação Portuguesa de Professores de Espanhol (APPELE) considera que as alterações nos requisitos "são mudanças sem aviso prévio e sem nenhum tipo de negociação ou intervenção por parte das entidades vinculadas ao ensino do Espanhol em Portugal" e que "já existem recursos humanos suficientes para ocupar os lugares efectivos no Estado".

"Isto é uma clara falta de respeito aos docentes profissionalizados em Espanhol, porque qualquer licenciado com um diploma que nem é universitário vai poder concorrer aos quadros", disse à Lusa Secundino Vigón, da APPELE, que será recebida esta semana pelo secretário de Estado.
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COMENTÁRIOS
Um governo injusto ...
Sou profissionalizada no grupo 300 e 330 e sou finalista da licenciatura em Espanhol, tenho concluidas cadeiras como Liter. Esp 1,2 e3, Cultura Esp 1 e 2, Linguist Esp 1 e 2, Espanhol 1,2,3,4 e 5, faltam-me apenas 3 cadeiras para concluir a licenciatura, o que acontecerá em Junho, não aceitam a minha candidatura pois sou finalista... Será que os meus 12 anos de ensino e toda as cadeiras que já completei numa universidade pública (onde pago propinas ao estado) são inferiores a um curso como o DELE?! Curso este que pode ser concuido até ao final do ano lectivo de 2008/2009, eu que termino a licenciatura em Espanhol em Junho já não posso concorrer... Justo, não é? É de salientar que estes DELE's vão ocupar lugares no quadro, efectivar e manter-se nas escolas por 4 anos, só depois os profissionalizados em Espanhol terão a mesma possibilidade... Isto espelha a competência e justiça do nosso governo, espero que se lembrem disso nas próximas eleições ...
tania manuela  silva videira, faro
28.03.2009
Ser professor de Espanhol
É uma vergonha o que se está a fazer ao Espanhol...quem tira uma licenciatura e se profissionaliza em Espanhol fica na mesma prioridade de quem faz um DELE (nível C) do Cervantes?...É RIDÍCULO....só para que conste o DELE custa menos de 200¿. Na 1ª prioridade deveria estar quem tem habilitação própria e é profissionalizado no Espanhol e depois todos os outros. Um instituto privado que permite dar aulas no ensino público em igualdade de circunstância de uma Universidade? É a vergonha deste (des)governo. Senhora ministra é isto a qualidade que tanto vende? E os canais de TV e rádios nem uma palavra. Estes srs do ministério não percebem nada. A ditadura acabará por chegar ao fim mais cedo ou mais tarde. Vejo sempre a série do Dr. House sempre, será que posso candidatar-me a médico?
Nelson  Almeida, Cacém
25.03.2009
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