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Professores de Espanhol contestam alterações no concurso
Lusa / EDUCARE| 2009-03-19
Os licenciados em línguas estrangeiras e/ou Português vão poder integrar os quadros das escolas e universidades públicas do grupo de Espanhol, se possuírem um diploma do Instituto Cervantes. A associação de docentes de Espanhol considera a medida ilegal e desnecessária.
Segundo disse à Lusa Secundino Vigón, da Associação Portuguesa de Professores de Espanhol (APPELE) e docente na Universidade do Minho, "são mudanças sem aviso prévio e sem nenhum tipo de negociação ou intervenção por parte das entidades vinculadas ao ensino do Espanhol em Portugal e porque já existem recursos humanos suficientes para ocupar os lugares efectivos no Estado".

Em causa estão as alterações referentes ao concurso de educadores de infância e de professores dos ensinos Básico e Secundário para o ano escolar de 2009/2010, cujo decreto-lei foi alterado e publicado em Diário da República a 12 de Março.

Com esta modificação, considera-se que, apenas para o recrutamento no grupo de Espanhol, "a habilitação é conferida também aos docentes com uma qualificação profissional numa língua estrangeira e/ou Português e que possuam na componente científica da sua formação a variante Espanhol ou o Diploma Espanhol de Língua Estrangeira (DELE) nível C do Instituto Cervantes".

"Isto é uma clara falta de respeito aos docentes profissionalizados em Espanhol, porque qualquer licenciado com um diploma que nem é universitário vai poder concorrer aos quadros", disse à Lusa Secundino Vigón.

Até agora, para a atribuição de habilitação profissional para a docência em qualquer grupo é preciso uma licenciatura atribuída por uma instituição do ensino superior, um número de créditos nas disciplinas que integram as áreas do conhecimento em que pretende profissionalizar-se como docente e ainda o grau de Mestre em Ensino nesse mesmo domínio docente.

O Grupo de Trabalho Interuniversitário de Professores de Língua, de Linguística, de Literatura, de Cultura e de Didáctica do Espanhol no Ensino Superior em Portugal, composto por universidades de norte a sul do país, já fez chegar ao Ministério da Educação (ME) a sua exigência para que esta situação seja corrigida.

Em declarações à Lusa, Valter Lemos, secretário de Estado da Educação, recusou as críticas feitas pelas universidades e pela APPELE. "O que o Ministério da Educação fez foi reconhecer a possibilidade de serem professores de Espanhol os professores que já são profissionalizados de línguas, ou seja, que já são professores de Português ou de Francês e que tenham a habilitação em Espanhol", argumentou.

Valter Lemos afirmou ainda ser uma medida que "tem em vista suprir transitoriamente também necessidades adicionais de professores no sistema, porque, se assim não o fizermos, há a possibilidade de muitos alunos que querem estudar Espanhol ficarem sem professor".
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COMENTÁRIOS
Espanhol
É uma vergonha o que se está a fazer ao Espanhol...quem tira uma licenciatura e se profissionaliza em Espanhol fica na mesma prioridade de quem faz um DELE (nível C) do Cervantes...É RIDÍCULO....só para que conste o DELE custa menos de 200¿. Na 1ª prioridade quem tem habilitação própria e é profissionalizado no Espanhol e depois todos os outros. Um instituto privado permite dar aulas no ensino público ,´é a vergonha deste (des)governo. Senhora ministra é isto a qualidade que tanto vende? E os canais de TV e rádios nem uma palavra. Estes srs do ministério não percebem nada. A ditadura acabará por chegar ao fim mais cedo ou mais tarde
Nelson  Almeida, Cacém
24.03.2009
A justia política educativa
Sou professora profissionalizada nos grupos 300 e 330 e lecciono há 12 anos. No ano passado ingressei no curso de Línguas Modernas ¿ Português e Espanhol na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Para tal concorri às vagas existentes em concurso especial, fui seleccionada, pago as propinas, estudo bastante e ando 500 km para fazer os exames... Faltam-me 3 cadeiras para terminar em Junho. Não posso concorrer a Espanhol, pois sou finalista. Tenho concluidas cadeiras como Espanhol 1,2,3,4,5, Literatura Espanhola 1,2,3, Cultura Espanhola 1,2 e Linguistica Espanhola 1 e 2, mas um diploma tirado intensivamente num mês de verão, como o Cervantes, é + importante do que toda a minha formação universitária em Espanhol... Como moro em Faro, nem sequer tenho acesso ao Cervantes, pois só há em Lisboa... Esta é a política do Ministério da Educação... Só espero que todos se recordem disto nas próximas eleições ...
tania manuela  silva videira, faro
20.03.2009
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