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Protestos dos alunos com fraca adesão
Lusa / EDUCARE| 2009-03-24
Algumas centenas de estudantes manifestaram-se hoje um pouco por todo o país contra as políticas do Ministério da Educação. Protestos com fraca afluência que os alunos atribuem ao regime de faltas.
Vítor Paiva, presidente da Associação de Estudantes da Escola Gonçalves Zarco, em Matosinhos, e um dos manifestantes que se encontrava em frente à Câmara Municipal do Porto, admitiu que o protesto de hoje, para assinalar o Dia do Estudante, teve uma "adesão fraca", porque "graças ao novo estatuto, a maior parte dos alunos está a reprovar por faltas".

O estudante explicou que o novo regime de faltas "coloca no mesmo saco os alunos que faltam porque querem e os que faltam porque precisam, por estarem doentes, por exemplo".

Também Inês Santos, aluna do 12.º ano da Escola Padre António Vieira e uma das organizadoras do protesto em Lisboa, justificou a fraca afluência com o regime de faltas, bem como com o facto de "muitos alunos estarem a realizar provas de recuperação".

"Exames não", "Ministra, escuta, os estudantes estão em luta", "É essencial educação sexual", "O estatuto está mal, é um código penal" e "Somos muitos, muitos mil, para continuar Abril", foram algumas das palavras de ordem ouvidas na concentração frente à Câmara do Porto, que depois seguiu para junto das instalações da Direcção Regional de Educação do Norte.

Em Lisboa, as palavras de ordem "Não, não, não a esta Educação" e "Está na hora de a Ministra ir embora" eram gritadas por cerca de cem alunos do Secundário de várias escolas da cidade.

Em Coimbra, o protesto mobilizou cerca de 30 estudantes acompanhados por seis agentes da PSP. Na concentração na Praça 8 de Maio ouviram-se frases como: "A educação é um direito, sem ela nada feito"; "O preço dos livros aumenta, o estudante não aguenta" e "Estatuto está mal, é o Código Penal".

Junto ao Governo Civil de Coimbra os manifestantes concentraram-se, entregando depois um abaixo-assinado contra o actual sistema de ensino.

Mas os protestos não se limitaram às grandes cidades. Cerca de 30 alunos da Escola Leal da Câmara, Rio de Mouro, e da Secundária de Mem Martins dirigiram-se hoje à Câmara de Sintra para entregar uma moção contra as políticas educativas aprovada a 14 de Fevereiro no Encontro Nacional de Associações de Estudantes.

Em Almada, cerca de 200 alunos manifestaram-se em frente aos Paços do Concelho.

Contactada pela Lusa, fonte do Ministério da Educação afirmou que as escolas funcionaram hoje com normalidade, sem perturbações a assinalar, apesar das várias iniciativas marcadas para o Dia do Estudante.

Também os alunos do ensino superior assinalam hoje o Dia do Estudante.

Em Lisboa, um protesto que culminou na Assembleia da República juntou uma centena de estudantes, gritando "Propinas e Bolonha é tudo uma vergonha" e reivindicando mais apoio social e o não pagamento de propinas nas faculdades.

Em Évora, cerca de 40 alunos do curso de artes visuais da Universidade de Évora protestaram no centro da cidade contra as propinas e processo de Bolonha e exigiram melhores condições de ensino.

Os estudantes reclamam um ensino público gratuito, sem propinas e mais apoios na Acção Social Escolar, manifestando-se contra o processo de Bolonha e a gestão das universidades por fundações, previsto no novo Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior, que entrou em vigor em 2007.
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