Vítor Paiva, presidente da Associação de Estudantes da Escola Gonçalves Zarco, em Matosinhos, e um dos manifestantes que se encontrava em frente à Câmara Municipal do Porto, admitiu que o protesto de hoje, para assinalar o Dia do Estudante, teve uma "adesão fraca", porque "graças ao novo estatuto, a maior parte dos alunos está a reprovar por faltas".
O estudante explicou que o novo regime de faltas "coloca no mesmo saco os alunos que faltam porque querem e os que faltam porque precisam, por estarem doentes, por exemplo".
Também Inês Santos, aluna do 12.º ano da Escola Padre António Vieira e uma das organizadoras do protesto em Lisboa, justificou a fraca afluência com o regime de faltas, bem como com o facto de "muitos alunos estarem a realizar provas de recuperação".
"Exames não", "Ministra, escuta, os estudantes estão em luta", "É essencial educação sexual", "O estatuto está mal, é um código penal" e "Somos muitos, muitos mil, para continuar Abril", foram algumas das palavras de ordem ouvidas na concentração frente à Câmara do Porto, que depois seguiu para junto das instalações da Direcção Regional de Educação do Norte.
Em Lisboa, as palavras de ordem "Não, não, não a esta Educação" e "Está na hora de a Ministra ir embora" eram gritadas por cerca de cem alunos do Secundário de várias escolas da cidade.
Em Coimbra, o protesto mobilizou cerca de 30 estudantes acompanhados por seis agentes da PSP. Na concentração na Praça 8 de Maio ouviram-se frases como: "A educação é um direito, sem ela nada feito"; "O preço dos livros aumenta, o estudante não aguenta" e "Estatuto está mal, é o Código Penal".
Junto ao Governo Civil de Coimbra os manifestantes concentraram-se, entregando depois um abaixo-assinado contra o actual sistema de ensino.
Mas os protestos não se limitaram às grandes cidades. Cerca de 30 alunos da Escola Leal da Câmara, Rio de Mouro, e da Secundária de Mem Martins dirigiram-se hoje à Câmara de Sintra para entregar uma moção contra as políticas educativas aprovada a 14 de Fevereiro no Encontro Nacional de Associações de Estudantes.
Em Almada, cerca de 200 alunos manifestaram-se em frente aos Paços do Concelho.
Contactada pela Lusa, fonte do Ministério da Educação afirmou que as escolas funcionaram hoje com normalidade, sem perturbações a assinalar, apesar das várias iniciativas marcadas para o Dia do Estudante.
Também os alunos do ensino superior assinalam hoje o Dia do Estudante.
Em Lisboa, um protesto que culminou na Assembleia da República juntou uma centena de estudantes, gritando "Propinas e Bolonha é tudo uma vergonha" e reivindicando mais apoio social e o não pagamento de propinas nas faculdades.
Em Évora, cerca de 40 alunos do curso de artes visuais da Universidade de Évora protestaram no centro da cidade contra as propinas e processo de Bolonha e exigiram melhores condições de ensino.
Os estudantes reclamam um ensino público gratuito, sem propinas e mais apoios na Acção Social Escolar, manifestando-se contra o processo de Bolonha e a gestão das universidades por fundações, previsto no novo Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior, que entrou em vigor em 2007.
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