A Associação Nacional de Sobredotação (ANEIS) - em conjunto com o Agrupamento de Escolas de Miragaia e o Clube dos Rotários do Porto - iniciou um projecto de investigação-acção com o objectivo de identificar casos de sobredotação e avançar com programas de enriquecimento curricular no terreno.
O projecto-piloto foi divulgado ao EDUCARE.PT, numa altura em que a associação comemora 10 anos de existência.
No final do passado ano lectivo, foi alinhavada a parceria que, em Outubro de 2008, começou a tomar forma. "A ideia é atender a uma população em risco", avançou, ao EDUCARE.PT Ema Oliveira, presidente da ANEIS. Em Miragaia, no Porto, pretende-se ir ao encontro de uma franja social e economicamente desfavorecida e, também, chegar ao sexo feminino, outro do público-alvo à margem da sobredotação. O projecto, que junta investigadores e agentes educativos, tem, por isso, uma dupla função de avaliação de casos de sobredotação e de "criação de respostas para necessidades educativas especiais destes alunos".
Afastando estereótipos, Ema Oliveira sublinha que "[a sobredotação] não é tida como um fenómeno prioritário". O sobredotado pode ser alguém de excepção, que passou pela vida com condições óptimas para o seu sucesso, como também pode ser a criança sinalizada como rebelde na sala de aula. Daí a necessidade de intervenção. Como refere a presidente da ANEIS, "existem tantos alunos com estas características de potencialidade como os que estão abaixo da média". Ainda assim, "passam pela escola e pelos professores sem serem identificados como tal". Em Miragaia, à semelhança do que já acontece nas diferentes delegações da associação, pretende-se conhecer o fenómeno do ponto de vista científico e avançar com programas individualizados de enriquecimento, que estimulem as potencialidades dos alunos.
E que potencialidades são estas? A ANEIS tem apostado na desconstrução dos mitos. Por exemplo, de que as crianças sobredotadas têm recursos que podem ser trabalhados por si mesmos, ou que são frutos de pais que as hiper-estimulam, ou ainda que quem não foi prodígio em criança jamais será um adulto talentoso. Não restringindo a sobredotação às habilidades cognitivas, a ANEIS tem vindo a trabalhar na identificação de aptidões intelectuais, académicas, artísticas, sociais, motoras e mecânicas.
Em jeito de reflexão, a ANEIS reuniu-se, este fim-de-semana, em Famalicão, num seminário intitulado "Sobredotação em Portugal: 10 anos de contributos da ANEIS". Impulsionada, justamente em Famalicão, por um grupo de pais e agentes educativos, a instituição associou-se à Universidade do Minho, por via de Ema Oliveira e do investigador Leandro Almeida. Uma década passada, estendeu-se a mais uma dezena de cidades, um pouco por todo o país, prestando apoio a pais, crianças e agentes educativos.
Mais informação: http://www.aneis.org/
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