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| Estudantes protestam contra regime de faltas |
| Lusa / EDUCARE| 2008-11-14 |
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| Milhares de estudantes do Ensino Básico e Secundário manifestaram-se hoje em vários pontos do país contra o regime de faltas, em protestos convocados por SMS, levando pais, Governo e PS a falar de instrumentalização dos alunos. |
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Os protestos começaram logo de manhã, com escolas fechadas a cadeado e alunos na rua nas principais cidades do país, em alguns casos em frente aos estabelecimentos de ensino, noutros junto de câmaras municipais, governos civis ou do Ministério da Educação.
Os protestos de hoje terão sido convocados nos últimos dias através de uma mensagem por telemóvel (SMS) onde pode ler-se: "Está na hora, está na hora, da ministra ir embora. Pessoal, bora nos juntar e fechar as escolas de todo o País. Greve nacional no dia 14 (temos 2 dias para organizar a maior greve de sempre) até que o regime de faltas seja alterado. Já começou no Norte e agora vamos fazer com que se arraste por Portugal... Passa a mensagem. Todos juntos vamos conseguir".
Segundo representantes estudantis, os alunos foram-se reunindo localmente para organizarem as manifestações, enviando novas mensagens a convocar os estudantes.
"Nós só queremos a Ministra a cair", "Todos contra a Milu", "Não às faltas", "Unidos contra as faltas" e "É tempo de Mudar! Este regime tem de acabar!" foram algumas frases expostas em cartazes espalhados um pouco por todo o país.
Os protestos dos estudantes contra o regime de faltas começaram já na terça-feira, quando alunos da Escola Secundária de Fafe atiraram ovos ao carro da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que se encontrava na localidade para presidir a uma cerimónia de entrega de diplomas.
Durante a manifestação de hoje, ao serem recebidos pelo presidente da Câmara de Fafe, os estudantes acabaram por pedir desculpa ao autarca por terem "manchado o nome do município" quando atiraram ovos ao carro da ministra da Educação.
Júlia Ana Lopes, porta-voz de uma delegação de estudantes hoje recebida pelo autarca socialista, José Ribeiro, disse aos jornalistas que o gesto serviu para mostrar ao país que os estudantes da cidade "não são arruaceiros e sabem reconhecer os seus erros".
A dirigente estudantil considerou, no entanto, "inexactas" as declarações do presidente da Câmara que acusou os professores da Escola de participarem na manifestação contra a ministra Maria de Lurdes Rodrigues: "Os professores não tiveram nada a ver com a manifestação e não nos incentivaram", afirmou.
Os alunos contestam o novo regime de faltas, que prevê a realização de uma prova de recuperação quando atingido um determinado número de ausências, independentemente do seu motivo, mas só depois de aplicadas medidas correctivas.
"Não podemos estar doentes e faltar porque a ministra não deixa", disse à Lusa um representante dos estudantes da escola básica Mário de Sá Carneiro, em Camarate, Fábio Fernandes.
Uma outra aluna presente na manifestação, Marizel Cotoberto, lamentava não poder faltar às aulas para ir ao médico ou a um funeral, "porque mais de seis faltas implicam dois exames".
A aparente falta de conhecimentos de alguns alunos, que "nem sabiam ao que iam", levou o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, a afirmar que os protestos de hoje são uma "clara" instrumentalização dos estudantes.
"Creio que há uma tentativa de instrumentalização, que eu acho lamentável, porque estamos a falar de educação e estamos a falar de crianças e jovens que não devem ser usados nem instrumentalizados no seu processo educativo", disse o secretário de Estado. O secretário de Estado destacou ainda que, apesar das manifestações, no geral "as aulas nas escolas decorreram normalmente".
Também o porta-voz do PS, Vitalino Canas, admitiu que os alunos podem estar a ser instrumentalizados por "alguns radicais e alguns professores".
As declarações do governante e do dirigente socialista motivaram reacções dos sindicatos da Educação, que lamentaram as insinuações.
"É bom que não passem de insinuações do porta-voz do PS (Vitalino Canas) porque a difamação é crime", afirmou o dirigente da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), Mário Nogueira, à margem de uma conferência de imprensa sobre a suspensão do processo de avaliação de professores. Mário Nogueira lembrou que "a difamação é crime e que normalmente acaba por ser julgado na barra do tribunal".
Também o líder da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), João Dias da Silva, considerou ilegítimo que se façam insinuações sem provas que abrangem toda uma classe profissional.
"Acho que é incorrecto, é injusto e é ilegítimo estar a deixar no ar suspeitos sobre a origem das manifestações que alguns alunos estão a realizar", afirmou João Dias da Silva em declarações à Lusa.
Mas nem só o Governo e o PS falaram em instrumentalização dos alunos. Também a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) admitiu que na organização das manifestações dos alunos do básico e do secundário estejam envolvidas pessoas que não são estudantes. "Pomos a hipótese de não serem estudantes a organizar [os protestos]. Lamentamos que estejam a usar os alunos para lutas que são de outros", declarou à Lusa António Amaral, vice-presidente da Confap, frisando que não está a acusar ninguém em concreto.
A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) manifestou, por seu lado, preocupação sobre os efeitos que a radicalização de posições pode vir a ter sobre o ano lectivo em curso. |
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| COMENTÁRIOS |
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Manifestações dos estudantes
Na última 3ª feira a EB23 que o meu filho frequente tinha os portões fechados a cadeado e os estudantes mais espigadotes aos gritos e a impedir que os mais novos, entre entusiasmados e confusos, entrassem.
Depois de decifrar a coordenação da mesma, em termos de estudantes e depois de pais, tive oportunidade de referir que a cobardia extrema dos pais passa por instrumentalizar os filhos para aquilo que eles quererão fazer, ou deverão fazer. Mas isso implica elucidar os pais e não conduzir em turba crianças, o que é muito mais difícil.
Vi confusão no trânsito, miúdos sózinhos totalmente confusos, deixados na entrada da escola porque os pais tiveram que ir trabalhar, possíveis problemas de segurança que ninguém teve cuidado de acautelar.
Identifiquei 4 mães que não conheço que quiseram manipular todos os outros pais e que tiveram o resultadão de todos os alunos perderem um tempo de aulas.
Este é o exemplo de participação cívica e democrática que campeia.
Rui Manuel Neves dos Santos Santos, Esgueira
20.11.2008
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Conversa...fiada.
A CONFAP é, claramente, uma correia de transmissão do Ministério de Educação e, nesse sentido, é óbvio que só pode atirar com "conversa" de treta, passe a expressão! Aquilo que eu vi nos telejornais foi alguns pais ao lado dos seus filhos/alunos a apoiá-los!....
Francisco Pinto, Lisboa
14.11.2008
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