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Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010
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Notícias
Falta de apoios na educação especial
Lusa / EDUCARE| 2008-10-20
O Sindicato de Professores da Região Centro alerta para as alterações introduzidas pelo Governo na área da educação especial que deixaram este ano "milhares de alunos" sem apoio.
Segundo Mário Nogueira, coordenador do SPRC e secretário-geral da FENPROF, um estudo elaborado nos seis distritos da região Centro - Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu - que abrangeu um terço das escolas, conclui que 39% dos alunos (cerca de 900) com necessidades educativas especiais foram excluídos da educação especial.

Referiu que o levantamento foi realizado "só nas escolas da área da Direcção Regional de Educação do Centro" e que Coimbra é o distrito "onde se apresenta uma maior percentagem de cortes nos apoios alunos", com 57%.

Mário Nogueira salientou, em conferência de imprensa, que "o corte" nos apoios aos alunos com necessidades educativas especiais ficou a dever-se à alteração da legislação que "veio restringir o conceito de necessidades educativas especiais".

Denunciou que o processo "de exclusão de milhares de alunos das medidas de apoio especializado" foi feito "de forma desumana, pela aplicação à avaliação das necessidades educativas especiais de uma Classificação Internacional de Funcionalidade e Saúde, da área da saúde, que não serve para avaliar necessidades educativas".

O sindicalista também referiu que o Ministério da Educação "fracassou na montagem de uma rede de unidades segregadas" destinadas a alunos com determinadas categorias de deficiência, situação que, em alguns casos, obriga a que as crianças percorram diariamente "entre 50 a 100 quilómetros".

O SPRC irá realizar agora "um trabalho aprofundado de pesquisa sobre o funcionamento destas unidades, no qual se darão a conhecer os desequilíbrios gerados por esta rede e o seu carácter profundamente anti-inclusivo", anunciou Mário Nogueira.

Maria José Garcês, mãe de um aluno autista de Manteigas, referiu que o filho frequenta o agrupamento de escolas local há dez anos e que este ano lectivo "não tem tarefeira desde o início do ano". "A figura da tarefeira é indispensável no espaço escolar", referiu, indicando que apenas existe um professor para toda a turma. "Se o meu filho sair da sala de aula, se o professor continuar a dar a aula, vai dizer a uma auxiliar que se encarregue dele e o miúdo vai passar o dia no corredor ou na rua", disse.

"Quero que o meu filho vá para uma escola para aprender e não para passar o tempo", referiu Maria José Garcês, salientando que no ano anterior era apoiado diariamente por uma tarefeira da escola, situação que ainda não acontece este ano lectivo.
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COMENTÁRIOS
Apoio "especial" às NEE
Acho muito interessante o destaque que dão à falta de apoio aos alunos com NEE. A referência é "falta da tarefeira". Mal vai este país e dos pais, se consideram a falta da tarefeira como falta de apoio. Desde quando é que as medidas especiais para os alunos com NEEs estão na mãos de tarefeiras. Ser tarefeira é "especialização" em educação especial? PimPamPum ... parece-me é que ninguém sabe o que fazer com estes alunos e uma "tarefeira", claro que sabe ... Por Favor não me gozem!
jorge alexandre silva, Coimbra
23.10.2008
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