| Ensino valorizado precisa de mais professores? |
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| Andreia Lobo| 2008-09-03 |
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| Permanece a questão: o número de docentes no sistema é adequado às necessidades educativas? O Ministério da Educação afirma que sim. Os sindicatos contestam. |
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"O país precisa de mais professores."A frase lia-se nos folhetos informativos distribuídos pela Federação Nacional de Professores (FENPROF) durante a acção de sensibilização para o aumento da precariedade na classe docente, que decorreu no Porto, a 1 de Setembro. O dia em que vários professores se inscreviam nos centros de emprego de todo o país. "As escolas podiam ter um ensino mais valorizado e investir em projectos que deixam de desenvolver por falta de recursos humanos", esclarece, Júlia Vale, membro do secretariado nacional da FENPROF.
Enquanto o Ministério da Educação "parece assumir a postura de que não são necessários mais professores", os sindicatos apostam na denúncia do que fica por fazer no sistema educativo devido "à lógica economicista" ministerial, esclarece Júlia Vale. Bastava as escolas poderem funcionar com turmas menores, sugere a dirigente, para aumentar a qualidade das respostas educativas. Por isso, a FENPROF escreve nos panfletos de sensibilização: "Em Portugal não há professores a mais. Há vontade política a menos...".
Em relação ao número crescente de candidatos a professor que todos os anos terminam as suas licenciaturas vocacionadas para o ensino, Júlia Vale defende que "se deixe de formar para o desemprego". Uma ideia vaga num terreno de areias movediças. Cerca de 3 mil e quinhentos novos diplomados concorreram este ano para uma colocação, segundo dados divulgados por uma outra organização sindical a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE). Uma realidade que merece atenção. "É preciso ver onde existe a necessidade de recursos humanos para que os jovens não entrem em cursos com expectativas de emprego e os terminem para o desemprego", acrescenta a sindicalista da FENPROF, sublinhando que em causa está o "defraudar" dos jovens e suas famílias.
Listas em branco A lista de colocação de professores no 1.º ciclo do Ensino Básico permanece hoje em branco. Cerca de 13 mil e setecentos candidatos continuam na expectativa. Ao contrário do que seria de esperar, "não se trata de ainda faltar sair as colocações, mas sim de não existir lugares para ninguém", esclarece Júlia Vale que desconhece se o mesmo se aplicará à lista relativa ao Ensino Pré-escolar, que também está em branco e onde figuram mais de 3 mil e setecentos candidatos a concurso.
O número de não colocados no concurso nacional de contratação de educadores e professores continua a não ser consensual entre as organizações sindicais. Entre 50 a 40 mil candidatos terão ficado, nesta fase, sem horário atribuído numa escola. "Ainda não se sente a contestação porque nestes dias o que os professores mais querem é correr para o centro de emprego e entregar a declaração para obter o subsídio de desemprego", esclarece Júlia Vale, dirigente da FENPROF.
A contestação virá. Até porque são esperadas alterações ao funcionamento do próximo concurso de colocação para o ano escolar de 2009/2010, que os sindicatos já disseram desaprovar. "Parece que o ME tem intenção de acabar com as contratações cíclicas", antevê Júlia Vale. É por esta nova fase do concurso que os não colocados aguardam. Mas ainda não existem datas sobre o seu início no site da Direcção-Geral de Recursos Humanos de Educação (DGRHE). No ano anterior as contratações cíclicas decorreram até 31 de Dezembro. A partir dessa data, a contratação de professores compete directamente às escolas. Este é mais um ponto de discórdia entre o ME e a FENPROF que defende a manutenção das contratações cíclicas durante o ano lectivo, no sentido de "garantir a transparência do processo" até ao fim. |
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