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Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010
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Cem mil docentes exigiram demissão da ministra
Lusa / EDUCARE| 2008-03-10
Cerca de cem mil professores desfilaram durante cerca de cinco horas, em Lisboa, na "marcha da indignação", exigindo a demissão da ministra da Educação, a renegociação do Estatuto da Carreira Docente e a suspensão do processo de avaliação de desempenho.
Em declarações à SIC, a ministra Maria de Lurdes Rodrigues desvalorizou o número de manifestantes, entretanto confirmados pela PSP, afirmando "não ser relevante", garantindo que iria continuar a trabalhar na "procura das melhores soluções". "Vou continuar a trabalhar para encontrar as melhores soluções, tal como tenho feito e é o que vou continuar a fazer. Compreendo muito bem as razões da manifestação e tenho consciência que se está a pedir às escolas mais esforço e mais trabalho", referiu a governante, defendendo que os "resultados mostram que se está no bom caminho" em termos de reforma do sector da Educação.

A última manifestação de professores, que tinha sido até à data a maior de sempre, realizou-se a 05 de Outubro de 2006 e juntou em Lisboa perto de 25 mil docentes, em protesto contra o Estatuto da Carreira Docente, que acusaram o Governo de "impor" sem uma "efectiva negociação". Existem em Portugal 143 mil docentes, segundo referiu esta semana a ministra da Educação.

No final da marcha de sábado, o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), Mário Nogueira, reclamou vitória sobre o Governo, "e com maioria absoluta" porque na manifestação se conseguiu a "maioria qualificada entre os professores". Para o dirigente, os docentes "manifestaram a sua indignação, dando uma fortíssima expressão e elevado significado político ao seu protesto", enquanto a equipa ministerial de Maria de Lurdes Rodrigues "deixou de reunir condições" para se manter no cargo e "esgotou todas as condições de diálogo".

No protesto foram ainda anunciadas mais formas de luta como a realização de uma semana nacional de luto nas escolas, de um abaixo-assinado para entregar ao primeiro-ministro e de manifestações em todas as segundas-feiras durante o terceiro período.

Em declarações à Lusa, as associações de pais reconheceram ter sido cumpridas as expectativas dos sindicatos de professores em relação à adesão à marcha, mas apelaram para a manutenção do diálogo com o Ministério da Educação.

Em termos políticos, no Brasil, o Presidente da República considerou não dever "enviar mensagens" do estrangeiro e recordou o seu apelo ao respeito pelo direito à manifestação e à serenidade. "Estou a acompanhar a situação, estou a ser informado de tudo o que está a acontecer em Portugal, mas continuo a afirmar que não é a partir do Brasil que eu devo enviar mensagens sobre as questões internas do nosso país", disse Aníbal Cavaco Silva aos jornalistas.

O porta-voz do Partido Socialista, Vitalino Canas, vincou que a manifestação "não alterará o rumo que o PS e o Governo estão a seguir" e que o compromisso do Executivo "é para com toda a sociedade e não apenas relativamente a um grupo". "O PS olhará com atenção para os sinais que vêm da manifestação", acrescentou à Lusa.

Entre os partidos da oposição, o PSD lamentou que o primeiro-ministro se "esconda" num momento em que parece repetir-se na Educação o "filme" da Saúde, enquanto o CDS/PP pediu"bom-senso" e o Bloco de Esquerda considerou "incompreensível" a atitude da ministra.

"Já se assistiu a um filme semelhante na Saúde quando a situação se agudizou. O ministro (Correia de Campos) foi lançado às feras para se multiplicar em entrevistas e proteger o primeiro-ministro e depois foi demitido no momento mais adequado", referiu o deputado social-democrata Pedro Duarte à Agência Lusa. A mesma font_tage acrescentou que a decisão de demitir a ministra Maria de Lurdes Rodrigues pertence ao primeiro-ministro José Sócrates, mas que se podem fazer "analogias".

Por seu lado, o CDS/PP referiu "nem pedir já a demissão da ministra da Educação, mas apenas bom senso" num momento em que o sector chegou a um "beco sem saída". "Já toda a gente percebeu que a ministra não tem condições para continuar. Já nem pedimos a sua demissão, pedimos apenas bom senso. A ministra e o primeiro-ministro são teimosos e parecem ter prazer em estar isolados e não mostrar solidariedade com os professores", disse o deputado José Paulo Carvalho, sublinhando o "autismo é isolamento" governamental.

A deputada do Bloco de Esquerda (BE) Ana Drago considerou ser "incompreensível" que a ministra desvalorize o número de manifestantes e que afirme compreender as razões, mas "não está disponível a falar com os professores. "Diz que está aberta ao diálogo, a ouvir, mas não quer ouvir as propostas dos professores", comentou à Agência Lusa a deputada bloquista.
Numa breve paragem da marcha frente à sede do PCP, na Avenida da Liberdade, o líder parlamentar comunista Bernardino Soares manifestou a "solidariedade do PCP aos professores" contra a política que "tem os professores como alvo e a escola pública como objectivo de destruição".

A "Marcha da Indignação" foi organizada pelos dez sindicatos de professores, unidos numa plataforma, e integra a semana de luta convocada pela Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, que termina dia 14 com uma greve geral.
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COMENTÁRIOS
Hooligans invadem Lisboa
Em resposta à alusão ao hooliganismo e o tom trauliteiro que discorre do artigo de opinião de Emídio Rangel. Não fui a Lisboa no passado Sábado. Senti-me representado e, se me for possível e entender ajustado, irei a Lisboa ou a outras localidades, as vezes que forem necessárias pugnar por uma escola pública de qualidade e pela correcta aplicação dos dinheiros públicos deste país. Não sei se mereça, senhor Rangel, dizer-lhe que não sou sindicalizado nem comunista. Em relação à vergonha que diz ter sentido devolvo-lha por completo e acrescento que me provocam naúseas pessoas que proferem afirmações sobre matéria que desconhecem no seu todo. Não lhe fica bem, acredite, brincar com analogias de conceitos que parece fingir desconhecer, sobretudo a uma pessoa que teve responsabilidades na área de informação deste país, em diferentes meios de comunicação social. Sérgio Vilas Boas ¿ Professor de EVT ¿ Braga
Domingos Sérgio Vilas Boas, Braga
10.03.2008
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