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Notícias
Drogas leves e tabaco podem levar à amputação de membros
Marta Rangel| 2006-12-05
Vários estudos demonstraram que, para além do uso intravenoso, o uso oral, tanto de drogas como de tabaco, pode conduzir à amputação de um braço ou de uma perna.
O consumo de drogas leves como cannabis, haxixe e ecstasy representa mais riscos do que era possível calcular até ao momento. A comunidade médica e científica já sabia que o consumo de drogas de uso intravenoso, como a cocaína e a heroína, representava uma grande ameaça à saúde vascular dos consumidores. A novidade agora é que tanto a ingestão de drogas leves como de tabaco podem provocar os mesmos problemas, levando mesmo à amputação de um membro. As conclusões são de Armando Mansilha, médico-cirurgião, professor e investigador na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e coordenador do European Registry of Training Centers (EuReg-Vasc) e estão publicadas no capítulo "Management of vascular complications of drug abuse" do livro Vascula-surgery Highlights - Expert Reviews on Current Research.

Segundo Armando Mansilha, "o consumo é dividido de duas formas: por agressão directa, quando as drogas são injectáveis, provocando complicações locais, e por agressão indirecta, através do efeito tóxico provocado pelo consumo da droga".

De acordo com informação divulgada pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, a mistura de substâncias associadas às drogas de uso intravenoso leva a que o nível de toxicidade vascular directa seja muito elevado. Esta agressão provoca diversas complicações arteriais e vasculares podendo mesmo conduzir a uma isquemia aguda (falta de oxigénio, que resulta em morte celular, podendo gerar gangrena e levar à amputação dos membros). Segundo estes estudos agora divulgados a nível mundial, o consumo de drogas leves e tabaco pode causar as mesmas patologias. Actuando de forma lenta, mas progressiva, pode provocar toxicidade vascular indirecta e gerar isquemia crónica (morte celular lenta e contínua).

Tal como explica Armando Mansilha, estes riscos dependem sempre "da dosagem e regularidade do consumo". Naturalmente, "quanto maior é o consumo, maior é o risco", mas, segundo o investigador, "é difícil quantificar" porque o consumo de droga "é como o tabaco em termos de efeitos".

O médico-cirurgião não hesita em comparar o tabaco às drogas e explica que, ambos, por si só, "podem levar à amputação de um membro superior ou inferior como um braço ou uma perna".

De acordo com o investigador, seria possível prevenir estas patologias e impedi-las de chegar a uma situação-limite porque "há sinais que podem fazer prever que [o estado do toxicodependente] vai evoluir num sentido mau", como, por exemplo, o paciente "não conseguir caminhar mais de um determinado número de metros". No entanto, pela sua experiência enquanto médico, Armando Mansilha comprova que os toxicodependentes "só procuram consulta numa fase muito avançada" em que, na maioria das vezes, já não é possível tratar o problema. Na sua opinião, muitos casos graves "não chegam ao conhecimento [do médico] porque ou a doença não avança ou os toxicodependentes têm outro fim pior, de outra maneira".

Segundo Armando Mansilha, há doentes que "chegam numa situação tal, que não há outra alternativa senão amputar-lhes um membro". Sobretudo em relação ao consumo de tabaco, o médico e investigador refere que os pacientes têm "uma reacção de grande surpresa porque não faziam ideia que existia uma relação directa" entre o tabaco e patologias graves como estas.

Na opinião deste cirurgião, a divulgação destes estudos representa "uma forma de informação e alerta" para o público em geral e, em particular, para os jovens em cuja faixa etária há indicações do aumento do consumo de drogas leves. Para Armando Mansilha, esta é "uma forma de dizer que existem mais riscos de consumir droga do que aqueles que conhecemos".
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