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Psicologia
Adriana Campos Licenciada em Psicologia, pela Universidade do Porto, na área de Consulta Psicológica de Jovens e Adultos, e mestre em Psicologia Escolar. Concluiu vários cursos de especialização na área da Psicologia, entre os quais um curso de pós-graduação em Psicopatologia do Desenvolvimento, na UCAE. Atualmente, é psicóloga na Escola Básica de Leça da Palmeira, para além de dinamizar ações de formação em diversas áreas.
Terapia de reconversão de homossexuais
Adriana Campos | 2010-02-03
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A minha grande esperança é que, no futuro, em vez de se falar em terapia de reconversão de homossexuais, se fale em terapia de reconversão das mentalidades que continuam a olhar a homossexualidade como uma doença que exige tratamento.
"A Associação Americana de Psicologia (APA) desaconselhou hoje os profissionais de saúde mental a dizerem aos seus clientes homossexuais que podem tornar-se heterossexuais através de terapia ou outros tratamentos.
Numa resolução aprovada pelo conselho executivo da APA e num relatório anexo, a associação emitiu o seu "mais amplo repúdio" face à terapia de reconversão, um conceito defendido por um pequeno mas insistente grupo de terapeutas norte-americanos, muitas vezes aliados a grupos religiosos."
Agência Lusa - 6/08/2009

A evolução humana tem sido fantástica em muitas áreas, mas em termos de mentalidades continuamos na Idade da Pedra. Se é necessário que a Associação Americana de Psicologia venha desencorajar a terapia da reconversão, isso significa um desconhecimento relativamente ao que é a homossexualidade e, o que é mais grave, é que esse desconhecimento viva lado a lado com os técnicos.

Se os homossexuais pedem ajuda a profissionais para alterar a sua orientação sexual, isso significa, sobretudo, que se sentem mal numa sociedade que os rejeita. Na verdade, o problema reside aqui, porque continuamos a conviver mal com as minorias e a achar que o natural é sermos todos heterossexuais. Até quando esta mentalidade enferrujada e bafienta? Falo desta realidade com alguma revolta, porque vou contactando, com frequência, com pessoas fantásticas que, por serem diferentes, vão sendo colocadas à margem não me refiro apenas aos homossexuais, mas àqueles que, de alguma forma, não se enquadram nas maiorias.

Tanto a Associação Americana de Psicologia como a Associação Americana de Psiquiatria já assumiram há muito tempo que a preferência pelo mesmo sexo não é indicador de distúrbio psicológico, sendo o resultado de predisposições biológicas e influências culturais. Se a preferência pelo mesmo sexo não constitui um indicador de psicopatologia, porquê a terapia de reconversão? Poderão algumas pessoas responder: porque alguns homossexuais não se sentem bem com a sua orientação sexual. A estes eu responderia: numa sociedade como a nossa dificilmente alguém se sentirá bem com a diferença. Porquê? A resposta é tão evidente que quase não era necessária: porque ser diferente continua a ser sinónimo de exclusão.

Face ao exposto, o que me parece mais ajustado é que qualquer profissional, quando confrontado com um pedido de reconversão, tenha a honestidade de dizer que " não existe evidência científica que suporte uma intervenção que resulte na completa mudança de orientação sexual".

O contacto com adolescentes confusos relativamente à sua orientação sexual leva-me a sublinhar a necessidade e a importância de, junto dos jovens nesta faixa etária, clarificar a diferença entre preferências e contactos homossexuais, uma vez que, na adolescência, os contactos homossexuais são bastante frequentes entre rapazes e raparigas, sem que isso implique, que no futuro o jovem terá preferência por pessoas do mesmo sexo.

A minha grande esperança é que, no futuro, em vez de se falar em terapia de reconversão de homossexuais, se fale em terapia de reconversão das mentalidades que continuam a olhar a homossexualidade como uma doença que exige tratamento.
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COMENTÁRIOS
Um Dia
Tudo na Natureza é equilibrado. O Homem e a Mulher e os seus filhos. A vida é importante com os dois e assim foi criada a Terra para ser desfrutada, mas com regras. O Homem de facto tem o livre arbítrio de seguir o caminho que quiser, é como um Pai ou Mãe que diz o que é bom e o que é mau para o seu filho, mas ele escolhe o segundo caminho, o que fazer? Assim como o nosso Pai Celestial deixou um legado acerca deste assunto, Deus criou Homem e Mulher e que se multiplicassem , de facto foi bom eu ter nascido de um Homem e de uma Mulher...
Jorge Vasco Pereira Machado Cordeiro, Alverca do ribatejo
04.03.2010
No Brasil é proibido
Me chamou atenção esse artigo, pois no Brasil é proibido ao psicólogo (pelo Conselho de Psicologia), fazer "tratamento", ou reconversão da pessoa homossexual. E essa proibição faz tanto sentido no Brasil, que ler que profissionais fazem a "reconversão" causa estranhamento. Alias, a propria palavra reconversão já é estranha... pois pressupoe que houve uma conversão.
Carla São Paulo, Brasil
17.02.2010
aceitar vs considerar igual
Muitos estudos há que demonstram que o alcoolismo ou a toxicodepedência também são ¿o resultado de predisposições biológicas e influências culturais¿. O facto de ser ¿feitio¿ e não ¿defeito¿ não torna melhores estas realidades. É um facto que ¿continuamos a conviver mal com as minorias¿ e que temos um longo caminho pela frente no que diz respeito à descriminação que é feita a todos os que são diferentes. Mas não podemos esquecer que há diferenças, e não devemos ceder à tentação de colocar tudo ¿no mesmo saco¿.
Joana Rocha, Lisboa
04.02.2010
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