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Serviço de Pediatria do Hospital de Braga Este espaço é da responsabilidade da equipa médica do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, instituição certificada pelo Health Quality Service (HQS).
Alergias - as 10 perguntas mais frequentes
Serviço de Pediatria do Hospital de Braga | 2010-06-16
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Na Europa, as doenças alérgicas são a doença crónica mais frequente nas crianças e a sua prevalência continua a aumentar.
1 - O que é a alergia?
A alergia é uma resposta inadequada e exagerada do mecanismo de defesa do nosso organismo, o sistema imunológico, a substâncias que normalmente são inofensivas. Estas substâncias, que normalmente não provocam qualquer reação mas que podem desencadear respostas alérgicas em pessoas mais suscetíveis, são chamadas alergénios.

2 - O que é que acontece no nosso corpo quando ocorre uma reação alérgica?
Quando um alergénio entra em contacto com o organismo de uma pessoa predisposta a alergias, ocorre uma série de reações que levam à produção de anticorpos específicos para esse alergénio - as imunoglobulinas E (IgE). Estes anticorpos 'colam-se' a células chamadas mastócitos, que se encontram em maior quantidade no nariz, olhos, pele, pulmões e intestino. Da próxima vez que a pessoa entrar em contacto com essa substância, o alergénio é reconhecido e 'capturado' pela IgE, o que leva à libertação súbita de mediadores, como a histamina, a partir dos mastócitos. São estes mediadores os responsáveis pelos sintomas da reação alérgica.

3 - Quais são os alergénios mais frequentes?
Os alergénios mais frequentes são os que existem no ar e que podem ser inalados (pólen das árvores ou gramíneas, ácaros do pó, pelo e dejetos dos animais domésticos, esporos de bolores) ou os que podem ser ingeridos nos alimentos (leite de vaca, ovo, peixe, marisco, amendoim) ou em certos medicamentos (antibióticos). O veneno da picada de insetos (abelha, vespa e mosquito) também pode provocar reações alérgicas.

4 - Quais são as doenças alérgicas mais frequentes e os seus sintomas?

Nas crianças as principais doenças alérgicas são a dermatite/eczema atópico (pele muito seca, vermelha e a descamar, comichão, pequenas borbulhas em certas regiões), a alergia alimentar (vómitos, diarreia, inchaço da língua, lábios e olhos, manchas na pele, falta de ar, chiadeira), a asma (tosse, falta de ar, chiadeira) e a rinite e conjuntivite alérgicas (obstrução nasal com corrimento, comichão nasal, espirros, olhos vermelhos, inchados e com lágrimas, comichão ocular). No primeiro ano de vida predominam a dermatite/eczema atópico e a alergia alimentar. A asma e a rinite/conjuntivite surgem mais tarde.

5 - As alergias estão a aumentar?

Na Europa as doenças alérgicas são a doença crónica mais frequente nas crianças e a sua prevalência continua a aumentar. Em certos países uma em cada quatro crianças sofre de alergias. Estima-se que cerca de 5% a 20% da população, com maior percentagem nas crianças e adolescentes, tenham asma. A dermatite atópica afeta 10%-20% das pessoas durante a infância.

6 - Porque é que apenas algumas pessoas se tornam alérgicas?

Ainda não se tem a certeza. O maior fator de risco para o desenvolvimento de alergias é a história familiar de doenças alérgicas. Quando uma criança tem um dos pais com alergias tem um risco de 20% a -40% de vir a ter alguma doença alérgica, se os dois pais forem alérgicos o risco de ser afetada sobe para 40% a 60%. No entanto, o contacto precoce com os alergénios e certos fatores ambientais como a exposição ao fumo do tabaco e a poluição atmosférica parecem desempenhar um papel importante.

7 - Como posso saber se o meu filho é alérgico?

O diagnóstico das doenças alérgicas começa pela recolha cuidadosa da história com a descrição dos sintomas e tentativa de estabelecer uma relação entre a exposição a determinadas substâncias e o aparecimento desses sintomas. É também necessário a observação da parte do corpo à qual se referem as queixas.

Depois podem ser realizados testes para as alergias. Existem essencialmente dois tipos de teste, o PRICK teste e o RAST. No primeiro uma gota de solução contendo cada alergénio é colocada na pele, depois pica-se a pele com uma pequena agulha e marca-se a posição de cada alergénio com uma caneta. Se houver reação forma-se uma pápula que é medida para comparar com o controlo. O RAST consiste na medição no sangue da IgE específica para determinados alergénios.

No caso de alergia alimentar é necessário realizar testes de provocação especiais com o alimento suspeito de provocar a reação alérgica. Este teste só deve ser feito com vigilância médica.

8 - Todas as crianças com sintomas precisam de fazer testes para as alergias?
Não. Devem fazer testes para as alergias aquelas crianças com sintomas persistentes ou recorrentes que perturbem a sua vida diária, ou seja, que as incomodem no sono, na escola, e aquelas que necessitem de tratamento.

9 - O que posso fazer para controlar a doença?

O primeiro passo é a evicção dos alergénios, ou seja, evitar a exposição aos alergénios que foram identificados nos testes. Por vezes isso é impossível, como evitar por completo o pólen das árvores ou ácaros do pó, no entanto, devem ser tomadas medidas para reduzir ao máximo o contacto com esses alergénios.

Se necessário, devem ser utilizados medicamentos que controlam os sintomas, embora não curem a doença. Os anti-histamínicos bloqueiam a ação da histamina, um dos principais mediadores libertado durante a reação alérgica e assim diminuem os sintomas. Os corticosteroides são usados para tratar a inflamação em situações crónicas. Outros medicamentos são receitados dependendo da doença alérgica em causa, emolientes para a dermatite/eczema atópico, descongestionantes nasais para a rinite alérgica e broncodilatadores para a asma. O tratamento das doenças alérgicas deve ser individualizado para cada doente e orientado por um médico experiente.

10 - O que são as vacinas para a alergia?
A imunoterapia alérgica é uma forma de tratamento que tem como objetivo diminuir a sensibilidade aos alergénios alterando a resposta imunológica do organismo. Consiste na injeção subcutanêa de quantidades crescentes de alergénios de modo a criar tolerância. O tratamento tem uma longa duração, geralmente 3 a 5 anos. Devido ao risco de reações adversas deve ser efetuado sob vigilância médica. A imunoterapia é eficaz na asma, rinite e conjuntivite alérgicas e na alergia à picada de insetos. Não é útil no tratamento da dermatite/eczema atópico ou alergias alimentares. Só é recomendada para crianças a partir dos 5 anos de idade.

Teresa Pontes
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