As crianças e os mais jovens são um público-alvo cada vez mais importante para a publicidade e muitas vezes também mais vulnerável. Os anúncios crescem no intervalo dos seus programas televisivos preferidos, sendo cada vez mais necessário que os mais novos saibam como funciona a publicidade e que tenham capacidades para descodificar as mensagens publicitárias.
É com este objectivo, e para que no futuro os jovens de hoje sejam consumidores mais esclarecidos e informados, que surge o programa "Media Smart", desenvolvido pela Associação Portuguesa de Anunciantes (APAN). "Mais do que retirar as crianças do mundo comercial onde vivem, é necessário dar-lhes ferramentas para que consigam compreender e descodificar esse mundo", explica Manuela Botelho, secretária geral da APAN.
O programa é baseado no modelo britânico e um grupo de peritos - constituído por professores, pais, psicólogos, nutricionistas, educadores, anunciantes, associações de consumidores e consultores independentes - irá "avaliar o material de apoio existente, validar ou alterar os conteúdos, definir objectivos de aprendizagem", adianta Manuela Botelho. A APAN espera também contar com a participação de representantes do Governo no grupo de especialistas, nomeadamente do Ministério da Educação.
Preparado para o ensino extracurricular, ou mesmo inserido em disciplinas curriculares já existentes, o programa vai implicar a formação de professores, dirigindo-se às crianças entre os 6 e os 11 anos (1.º e 2.º ciclos). "O programa é muito flexível", realça Manuela Botelho, e aborda três grandes áreas - Introdução à Publicidade, Publicidade dirigida às crianças e Publicidade não comercial - cujo desenvolvimento e aprofundamento estarão dependentes da capacidade de cada escola.
Entre os possíveis temas a abordar vão estar, por exemplo, a importância do som na comunicação comercial, a utilização do exagero na publicidade ou a exibição de personalidades ou personagens nas campanhas. Segundo Manuela Botelho, serão expostos «todos os aspectos mais difíceis da publicidade» com o objectivo de despertar o sentido crítico dos jovens e de suscitar o debate nas escolas.
O ensino destes conceitos será apoiado, entre outros elementos, por fichas de trabalho, manuais para professores e filmes explicativos. Paralelamente será também criado um site com uma área específica para crianças, professores e pais, uma vez que estes últimos «têm também que participar nesta acção educativa», sublinha Manuela Botelho.
A APAN já teve por parte do Governo uma manifestação de reconhecimento da utilidade deste programa para Portugal" e a confirmar-se o arranque do programa já no próximo ano lectivo, a Associação prevê abranger, nos primeiros 3 anos, cerca de 40% dos alunos portugueses entre os 6 e os 11 anos.
O projecto "Media Smart" arrancou em 1998 no Canadá e entrou na Europa, em 2002, através do Reino Unido, onde já chegou a mais de um milhão de crianças. O projecto também já foi lançado na Holanda (2004), Bélgica e Alemanha (2005) e, mais recentemente, na Finlândia.
"Portugal é o primeiro país do Sul da Europa a implementar este programa", realçou Manuela Botelho, salientando que o "Media Smart" é um projecto de responsabilidade social, patrocinado pelas agências e meios, mas sem quaisquer contrapartidas para as marcas. "A publicidade é tratada como tema e não para promover qualquer marca", sublinha. |