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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010
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Entrevistas
Mitos e realidades sobre violência no namoro
Andreia Lobo| 2010-04-07
A violência entre jovens namorados é um problema social e de saúde ainda pouco abordado nas escolas. Mas estima-se que entre 20 e 30% dos adolescentes já tenham vivido situações de violência em relacionamentos de namoro. Entre os jovens adultos, esta percentagem sobe para os 50%.
Despertar os jovens para este problema é o objectivo do projecto "N (amor)o (Im) perfeito", que a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESENFC) está a promover entre as escolas secundárias dos distritos de Coimbra, Aveiro, Viseu e Leiria. A iniciativa decorre até Dezembro, numa acção conjunta com a Direcção Regional de Educação Centro e várias organizações não governamentais de auxílio a vítimas.

Ao longo de mais de 350 workshops de sensibilização, os alunos da ESENFC vão desmistificar entre os seus colegas do Ensino Secundário ideias como as de que "o ciúme é uma prova de amor e a violência no namoro um assunto privado". Mas estes são apenas dois exemplos dos mitos mais frequentes que ainda encobrem situações de ameaça física, psicológica e sexual, entre jovens.

Maria Neto, coordenadora do projecto, em conversa por e-mail, respondeu a algumas questões sobre esta temática. Destacou ainda alguns sítios da Internet onde os jovens podem pesquisar mais informação sobre o tema, bem como de associações nacionais e internacionais que tratam a violência no namoro apoiando e esclarecendo as vítimas.

EDUCARE.PT (E): O que é a violência no namoro?
Maria Neto (MN):
É quando numa relação amorosa um dos parceiros ameaça ou utiliza intencionalmente a força física, o poder ou o controlo sobre o/a outro/a, com o objectivo de obter o que deseja, causando-lhe um prejuízo ou sofrimento físico, psicológico ou sexual.

E: Que mitos ainda subsistem em torno desta problemática?
MN:
Os mitos são essencialmente os mesmos que se encontram nas relações de intimidade dos adultos: que o ciúme é uma prova de amor, que a violência tem tendência a terminar quando as pessoas se casam ou passam a viver juntas, uma bofetada ou um insulto não é violência e não faz mal a ninguém, a violência no namoro não é uma situação comum nem séria, não existe violência sexual no namoro, quando se gosta de alguém deve-se fazer tudo o que ele(a) gosta, os rapazes nunca são vítimas, é melhor ter um(a) namorado(a) violento(a) do que não ter namorado(a), a violência no namoro é um problema privado.

E: O que pode um aluno(a) fazer caso um(a) amigo(a) esteja envolvido(a) numa situação de namoro onde haja violência?
MN:
Normalmente é difícil romper o silêncio para as pessoas que vivem uma situação de violência, por isso, os amigos e colegas têm um papel muito importante. Estes devem estar atentos aos seus colegas e amigos e quando identificam algo que não está bem nas suas relações de namoro devem falar sobre a situação sem emitir juízos de valor. Devem ouvi-lo e acreditar nele, expressando preocupação, afecto e apoio. De modo a transmitir confiança e, por último, aconselhar a falar com um adulto de confiança: um familiar, professor, profissionais de saúde, psicólogo ou associações de apoio. A violência tem grandes custos para a saúde e desenvolvimento e é um crime público. Se um aluno acredita que existem riscos na segurança da vítima deve incentivá-la a procurar apoio nas forças de segurança (PSP e GNR). Deve ainda disponibilizar-se para ajudar a vítima e quando esta não consegue falar com outras pessoas propor-lhe fazê-lo por ela.

E: Qual o enquadramento legal desta problemática?
MN:
Hoje a violência no namoro é um crime público punível por lei e integra-se no quadro legal da violência doméstica.

E: A que sítios da Internet os jovens podem ir buscar informação credível sobre este tema?
MN:
São vários os locais onde podem pesquisar informação. A nível nacional podem fazê-lo em www.cig.org.pt, www.amcv.org.pt e www.amorviolentonaoeamor.com.pt. No plano internacional : www.loveisnotabuse.com e www.uhavetheright.net.

E: Também há linhas de apoio e auxílio às vítimas...
MN:
As linhas disponíveis são a Linha de Emergência Nacional, a Linha de informação às Vítimas de Violência Doméstica, a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, a União de Mulheres Alternativa e Resposta e a Associação de Mulheres contra a Violência, entre outras.

E: Pode dizer-se que a violência no namoro antecede a violência doméstica entre casais?
MN:
Sim, vários estudos referem que a violência no namoro é preditora da violência entre casais, contrariando o mito que referi anteriormente, em que se pensa que o casamento ou uma vida em comum vai fazer terminar a violência.


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