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Sexta-feira, 30 de Julho de 2010
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Psicologia
Adriana Campos Licenciada em Psicologia, pela Universidade do Porto, na área de Consulta Psicológica de Jovens e Adultos, e mestre em Psicologia Escolar. Concluiu vários cursos de especialização na área da Psicologia, entre os quais um curso de pós-graduação em Psicopatologia do Desenvolvimento, na UCAE. Actualmente, é psicóloga na escola E B 2/3 de Leça da Palmeira, para além de dinamizar acções de formação em diversas áreas.
Turmas barulhentas
Adriana Campos| 2010-03-03
Enquanto este problema não for encarado como verdadeiro problema e os pais não tomarem medidas mais punitivas, ele manter-se-á.
O fenómeno "turma barulhenta" tem vindo a generalizar-se. Habitualmente, os professores referem-se a estas turmas como sendo constituídas por alunos que não são propriamente mal-educados, mas são muito faladores. Às vezes, até há um número considerável de alunos com bom aproveitamento nestes grupos. No entanto, a conversa para o lado é uma constante. Numa reunião de pais em que recentemente estive presente, um deles referia que a maioria dos professores da turma do filho passava boa parte da aula a tentar manter o silêncio e que, no início das aulas, eram necessários quinze minutos para que todos os alunos se calassem e a abordagem das temáticas académicas pudesse iniciar-se. Compreendo bem a preocupação deste pai, pois este é efectivamente um fenómeno altamente perturbador da aprendizagem.

A grande questão que se coloca é como agir face a este fenómeno, que aparentemente é fácil de resolver mas, em termos práticos, pode, por vezes, arrastar-se um ano inteiro sem que seja solucionado. A aliança entre pais e professores no sentido de combater este fenómeno é, por isso, fundamental.
Sei que os professores enfrentam este problema com grande apreensão, uma vez que ele gera frustração, dado que, como os próprios referem, "passo a aula mandar calar".

Também provoca desgaste pessoal, na medida em que o investimento realizado pelo professor no sentido de planear bem a aula vai muitas vezes por água abaixo porque, simplesmente, ninguém ouve o que está a ser dito. Que medidas tomar para tentar minorar o problema?

Frequentemente, há problemas no recreio que são transportados para a sala de aula e que perturbam o seu bom funcionamento. Sempre que o professor perceba que há guerras latentes por resolver é preferível, no início da aula, tentar que estas se resolvam rapidamente.

A forma como os alunos entram na sala de aula é também de grande importância e deve ser controlada. Se estes entram em repelão, atropelando-se uns aos outros, isso não favorecerá o bom início das actividades lectivas.

Os professores deverão também incentivar os alunos a tirar o material rapidamente da mochila, de forma a iniciarem os trabalhos imediatamente após se sentarem. Se este momento inicial se prolongar muito, estar-se-á a dar azo a que muitas conversas, que nada têm a ver com a aula, se instalem. Sempre que haja mudança de actividade é também fundamental que esta se faça rapidamente, para evitar assuntos paralelos.

A forma como os alunos estão dispostos na sala de aula é outro aspecto de grande importância, que nunca poderá ser desvalorizado. Se dois alunos estão sempre a pôr a conversa em dia, isso significa que têm automaticamente de ser separados.

Se nas reuniões em que contactou o professor ou o director de turma do seu filho, já houve queixas de que o seu educando é muito falador na sala de aula, que medidas tomou? Habitualmente, o discurso dos pais é de desvalorização face a esta questão, limitando-se a ralhar com os filhos. Se na reunião seguinte a queixa se mantiver, a medida tomada pelos pais é geralmente a mesma: uma breve chamada de atenção... e o problema mantém-se. Enquanto este problema não for encarado como verdadeiro problema e os pais não tomarem medidas mais punitivas, ele manter-se-á. Poder-me-ão questionar, os pais, mas como quer que eu controle o meu filho, se não estou na escola? É verdade, mas em casa há imensas fontes de reforço, que poderão ser retiradas à criança e que poderão ajudá-la a repensar a atitude mais correcta a tomar na sala de aula. Se os filhos perceberem que este comportamento também não é tolerado pela família, mais facilmente poderão mudar de atitude.

Saindo um pouco do contexto académico, parece-me que este fenómeno não é totalmente alheio ao facto de, em termos sociais, estarmos em permanente agitação, atropelando constantemente o discurso uns dos outros...


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COMENTÁRIOS
movimentoescoladecente
MOVIMENTO ESCOLA DECENTE O MOVIMENTO ESCOLA DECENTE ESTÁ NO FACEBOOK VAMOS REUNIR MILHARES E MILHARES DE ASSINATURAS COM O´OBJECTIVO DE OBRIGAR O GOVERNO A LEGISLAR NO SENTIDO DE EXCLUIR DA ESCOLA QUEM A ESTRAGA. EXCLUIR DA ESCOLA SEM QUE ISSO QUEIRA DIZER NADA DE MAIS: EXISTE O E-LEARNING COMO SOLUÇÃO. PARA ALUNOS QUE NÃO PODEM ESTUDAR POR E-LEARNING (1º E 2º CICLO), VAMOS EXIGIR A APLICAÇÃO DE MULTAS AOS SEUS ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO. O MOVIMENTO ESCOLA DECENTE ESTÁ NO FACEBOOK MOVIMENTOESCOLADECENTE@HOTMAIL.COM
Renato  Vieira Fernandes Corte-real, Ourique
15.03.2010
correcção de erro
O harmonioso desenvolvimento pessoal e social dos filhos ESTÁ primeiro. Assim está correcto.
Miguel Gameiro  Silva, Ponta delgada
15.03.2010
educar sem bater- a resposta
Queria deixar bem claro a uma das comentadoras que tenho duas filhas, uma com doze e outra com 3, às quais nunca bati. Entre não bater e ser permissivo vai uma grande, mesmo grande, distância. Felizmente as professoras da minha filha mais velha nunca se queixaram dela, muito pelo contrário. Como fiz isso? Com muita paciência, ensinando-as que todos erramos e é a falar e a pensar que se resolvem os problemas. Desde que nascemos somos cidadãos com direitos e deveres. Como aprendi isto? Concluindo, para além de um curso de professor, um curso na área da psicologia, continuando depois disso lendo muitos livros nessa área e, fundamentalmente, alterando as crenças pelas quais fui educado. Lá por ter sido educado à base da "porrada" (palmada, etc), considerei que existem outros caminhos bem melhores. Experimente, mas aviso desde já que vai envelhecer mais depressa...mas lá no fundo o harmonioso desenvolvimento pessoal e social dos filhos estão primeiro...
Miguel Gameiro  Silva, Ponta delgada
15.03.2010
porrada???
O Prof Gameiro pelo que expõe parece que entende que um aceno de mão compara-se a PORRADA. Vai uma grande distância mas que, por vezes, o que não vai à palavra vai com umas palmadas, isso sim. Não sei se tem filhos mas será que nunca resolveu as birras e má educação com uma nalgada?! Então vamos deixando fazer tudo, vamos usando todas as estratégias e.... vamos ficando esgotados. As famílias (algumas) entendem que a Escola resolverá tudo, até a má educação que vem de base, vamos ficando na mesma, porque alguns continuarão a destabilizar os que querem fazer alguma coisa... E coitadinhos se levarem um abanão porque serão uns traumatizados... Tenham dó com tanta complacência
Maria da Conceição  Cardoso Santos, Vila Chã de Sá - Viseu
09.03.2010
Ordem
Estive há uns anos em Macau, e constatei um território e dois sistemas de educação; A escola chinesa em que os alunos tinham uniforme , e a Escola Portuguesa onde não havia uniforme e está tudo dito... A ordem na educação, que significa disciplina à autoridade do professor, se não for instalada é o caos... É como a Justiça perante o crime ....
Jorge Vasco Pereira Machado Cordeiro, Alverca do ribatejo
04.03.2010
porrada para cima
Recentemente estava numa reunião de professores e alguém dizia que os alunos são barulhentos e não aprendem porque lhes falta uma coisa (gesto com a mão direita imitando uma palmada). No nosso tempo aprendíamos, era ou não era (mais um gesto com a mão direita)? Ninguém contrariou estas afirmações...pareciam concordar pelas caras. Eu assumo que permaneci calado....e a pensar nas imbecilidades que se dizem! Está na hora de emigrar!
Miguel Gameiro  Silva, Ponta delgada
03.03.2010
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