O Portal da Educação
Sexta-feira, 30 de Julho de 2010
arquivo | registo | faça do educare a sua homepage pesquisar
Notícias
Sindicatos e ME chegam a acordo
Sara R. Oliveira| 2010-01-08
Ministério da Educação cedeu em alguns pontos numa ronda negocial que durou mais de 14 horas. Desistiu das vagas de acesso ao 3.º escalão e prescindiu da prova de ingresso dos candidatos que já deram aulas e foram avaliados.
Foi um dia em cheio e o mais longo da história das últimas negociações entre o Ministério da Educação (ME) e os sindicatos do sector. Esta madrugada, a maioria das estruturas sindicais e o ME chegaram a acordo sobre o Estatuto da Carreira Docente e a avaliação de desempenho - que se manterá em ciclos de dois anos lectivos. No encontro de quinta-feira, a tutela reuniu com todas as estruturas sindicais em simultâneo, espalhou-as por várias salas e foi fazendo uma ronda pelos diversos compartimentos. Um método inédito, já que nas últimas conversações a ministra Isabel Alçada reuniu com um sindicato de cada vez. Depois de uma maratona, o entendimento foi possível.

Era quase uma hora da manhã, quando Isabel Alçada mostrava o seu contentamento. "Como ministra da Educação estou muito satisfeita e quero assegurar a todos os portugueses que este acordo é um bom acordo. Bom para a educação, bom para as nossas escolas, bom para os professores e bom para o país", disse. "Nunca desisti, mesmo quando as divergências pareciam inultrapassáveis e a persistência compensou", acrescentou.

O dia foi bastante intenso: às propostas do ME sucediam-se contrapropostas dos sindicatos que pouco falaram com os jornalistas. E ao início da noite, surgia a terceira proposta do ME, quando já tinha prescindido da abertura de vagas para o 3.º escalão. A tutela cedeu em outros aspectos. Não será necessária a realização da prova de ingresso na profissão para os docentes que já tenham dado aulas e sido avaliados. Os professores classificados com "Excelente" e "Muito Bom" não entram na contabilização de vagas e, dessa forma, os docentes com "Bom" já não estarão dependentes da contingentação para subir na carreira - podendo alcançar o topo em 40 anos de serviço. A contingentação de vagas acontecerá na passagem do 4.º para o 5.º escalão e do 6.º para o 7.º.

Para Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), este acordo "melhora diversos aspectos em relação à carreira dos professores. Por exemplo, neste momento, é garantido que todos os docentes chegarão ao topo da carreira". "Este acordo significa uma mudança radical nas expectativas dos docentes portugueses", salientou, por seu turno, João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE).

Os sindicatos prometeram e não arredaram pé até terem a garantia de que os professores classificados com "Bom" possam ter acesso ao topo da carreira, não ficando retidos mais de três anos na passagem para o 5.º e 7.º escalões. A última reunião para a revisão do Estatuto da Carreira Docente e avaliação de desempenho da classe docente foi muito longa e com poucas declarações ao longo do dia. Sentia-se o impasse no ar e as horas passavam à procura de um entendimento.

"Não é o que gostávamos que fosse, mas é mais favorável do que o que existe", dizia Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, muito antes de a reunião terminar. O sindicalista reconhecia que a proposta do ME ia ao encontro de algumas reivindicações feitas nas últimas semanas, mas ainda assim não garantia um acordo. E ao longo do dia o secretariado da FENPROF foi reunindo na sala de imprensa do ME, algo também inédito, para analisar as propostas e tomar posições.

O encontro não começou da melhor maneira. O primeiro texto apresentado pela tutela não agradou aos sindicatos e Mário Nogueira chegou mesmo a afirmar que a proposta não tinha "garantias mínimas para os professores". "Uma coisa fundamental, toda a gente sabe, enquanto os professores avaliados com ?Bom', os bons professores, forem impedidos de aceder ao topo da carreira, não é possível haver acordo", lembrava. Depois de várias reuniões, muitas declarações, propostas e contrapropostas o acordo tornou-se realidade.

ASPL não assinou acordo 
A Associação Sindical dos Professores Licenciados (ASPL) foi um dos sindicatos que não chegou a um entendimento com o Governo. Em declarações à agência Lusa, Fátima Ferreira, dirigente da ASPL, afirmou que a Associação "fez um esforço enorme" para chegar a acordo, mas o "Ministério da Educação não cedeu em dois aspectos essenciais". Um dos aspectos, especificou, é o "reposicionamento na futura carreira de acordo com o tempo de serviço que eles têm". "É um princípio justo e não é isso que o Ministério da Educação vai fazer. O ME vai transitar os professores para a futura carreira e vai posicioná-los no escalão correspondente ao índice em que eles agora estão", justificou. No aspecto da avaliação, a sindicalista afirmou que a ASPL esteve disponível para "ceder em toda a linha", à excepção de uma questão que considerava essencial: as quotas para atribuição do "Muito bom" e do "Excelente".


Partilhar
Bookmark and Share
Notícias relacionadas
83% de professores com "Bom" no último ano lectivo2010-01-06
Confronto entre professores e Governo condiciona debate na educação2010-01-04
Sindicatos rejeitam acordo 2009-12-31
Professores com "Bom" sujeitos a vagas2009-12-29
Movimentos de professores consideram proposta inaceitável2009-12-29
"Bom" dá acesso ao topo da carreira2009-12-17
Notícias mais recentes
Há 30 anos a falar de educação sexual 2010-07-28
"Ciganos vivem a escola como exercício de corda bamba"2010-07-26
Retenção por excesso de faltas deve ser solução de "fim de linha"2010-07-23
Novo Estatuto do Aluno aprovado amanhã2010-07-21
Gulbenkian distingue projectos educativos2010-07-21
Observações na segunda fase dos exames 2010-07-20
Sócrates diz que todas as escolas vão estar ligadas à Internet de alta velocidade em breve2010-07-19
Nenhum aluno do 8.º ano com mais de 15 anos concluiu o Ensino Básico2010-07-19
Estatuto do Aluno aprovado na especialidade2010-07-16
ME e sindicatos discutem avaliação em funções fora das escolas ou sem turmas2010-07-16
Mega-agrupamentos avançam, contra o parecer do Conselho das Escolas2010-07-15
Abandono escolar desceu mas ainda é superior à média da UE2010-07-15
Menos dores de cabeça na segunda fase 2010-07-14
Quase metade dos alunos com negativa no exame de Matemática2010-07-13
Cerca de 54 mil vagas disponíveis para acesso ao Ensino Superior2010-07-13
Prevenir a violência no namoro 2010-07-12
CONFAP apela para que pais rejeitem extinção de escolas 2010-07-12
Agregação de agrupamentos sem implicações para alunos e pais 2010-07-12
Médias sobem a Matemática e descem a Português 2010-07-09
O EDUCARE.PT acredita na responsabilidade e civismo dos seus utilizadores.
Alguns comentários poderão ser sujeitos a um processo de verificação, pelo que só serão publicados após a respectiva validação. Reservamo-nos o direito de remover todos os comentários que não forem considerados pertinentes para a matéria em análise, bem como todos aqueles que não se encontrem devidamente identificados e/ou que apresentem linguagem imprópria. Não é permitida a difusão de produtos ou actividades considerados irrelevantes para a matéria em análise.
Lembramos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, especialmente no que diz respeito à veracidade dos dados e das informações transmitidas.
ARQUIVARIMPRIMIRENVIARSUGESTÃO
COMENTÁRIOS
Interessante para ALGUNS
Tantas negociações, e não se ouve falar dos tristes contratados, com mais de 15 anos de serviço(exploração), e agora com as quotas são ultrapassados com a maior das facilidades. Os sindicatos só se preocupam com a passagem de escalões pois é o que lhes interessa
ana lucia da costa abrantes abrantes, agueda
11.01.2010
Publicidade
registo | newsletters
Termos e condições de acesso | Estatuto Editorial
Publicação diária | Nº registo do GMCS: 123727 | Director: Rui Almeida Pacheco
Propriedade: Porto Editora, Lda. | CRC PORTO e NIPC: 500 221 103 | Soc. por Quotas | Cap. Soc. EUR 1.400.000

Rua da Restauração, 365, 4099-023 Porto | Tel.: 22 608 83 26 | Fax: 22 608 83 27
E-mail: assistente@educare.pt
 

Actualidade | Opinião | Fóruns | Agenda | Legislacao | Outras Informações | EducareTV
RSS Twitter Facebook YouTube