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 | Adriana Campos Licenciada em Psicologia, pela Universidade do Porto, na área de Consulta Psicológica de Jovens e Adultos, e mestre em Psicologia Escolar. Concluiu vários cursos de especialização na área da Psicologia, entre os quais um curso de pós-graduação em Psicopatologia do Desenvolvimento, na UCAE. Actualmente, é psicóloga na escola E B 2/3 de Leça da Palmeira, para além de dinamizar acções de formação em diversas áreas. |
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| Violência no namoro |
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| Adriana Campos| 2010-04-14 |
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| A violência pode ser tão subtil, que a jovem nem percebe que está a ser duramente torturada e até se pode culpabilizar por não estar a corresponder às expectativas do outro. |
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Quando é que se pode dizer que existe violência no namoro? Quando existe violência física? Quando existe violência verbal ? Quando a violência é psicológica? A violência na relação poderá ter um ou vários destes ingredientes, mas o principal é a desigualdade de poder, ou seja, é o uso do poder como forma de controlo do outro. Quando alguém insulta, humilha, ameaça ou bate como forma de controlar o outro, está a ser violento.
Face a isto, a grande questão que se coloca é "porquê?" Porque é que alguém deixa que o outro abuse dele e o maltrate? Porque é que há pessoas que permanecem em relações em que a agressão é uma constante? Por várias razões ...
Em primeiro lugar, quem abusa não abusa sempre; tem momentos de arrependimento. Nesses momentos, o que fora destruído com violência é tentado reconstruir com flores, bombons e outras prendas. Dado que um comportamento violento dá lugar a um outro de certa forma oposto, instala-se a confusão e a dúvida: "Será que é desta que ele vai mudar?". E a esperança, que, como diz o povo, é a última a morrer, acaba por instalar-se, pelo menos enquanto dura o período de tréguas...
O ciúme e a forma como ele é percepcionado também funcionam como aliados do agressor. A ideia de que ter ciúme é prova de amor ainda perdura em muitas mentes. Controlar os horários, as horas em que entra e sai de casa, pedir justificações para os atrasos, ligar constantemente para saber onde está, com quem está e o que está a fazer é habitualmente interpretado como uma forma de amar e não como uma estratégia para manter o poder e o controlo sobre o outro. A violência pode ser tão subtil, que a jovem nem percebe que está a ser duramente torturada e até se pode culpabilizar por não estar a corresponder às expectativas do outro.
Ser proveniente de uma família violenta é certamente um factor de risco para perpetuar a violência porque, quer queiramos quer não, muitas das nossas aprendizagens se fazem através da observação dos outros. Se o jovem cresceu num contexto de violência, poderá ter mais dificuldade em ser crítico relativamente a ela.
Infelizmente, digo eu, ter namorado ainda é sentido, sobretudo pelas raparigas, como uma forma de afirmação social. Não interessa que ele seja uma "peste"; ter alguém é sempre melhor que estar sozinha, mesmo quando esse alguém perde a cabeça e é, por vezes, agressivo. A ideia de que é melhor estar só do que mal acompanhada não é de todo partilhada por muitos adolescentes; já agora, é importante acrescentar, nem por muitos adultos.
A educação pode também ser apontada como uma das responsaveis para que as raparigas se deixem violentar, uma vez que estas ainda são educadas para idealizar o amor e ainda lhes é incutida a mensagem de que o verdadeiro amor nunca acaba e que deve resistir a tudo. A ideia de que é possível mudar o outro pode levar a que a vítima permaneça na relação e tolere a violência durante muito tempo.
O que podem os pais fazer para evitar que os filhos sejam as próximas vítimas de violência no seio de uma relação amorosa? Usando as palavras de Carla Machado, investigadora da Universidade do Minho: "Podem antes de mais transmitir muito claramente, no seu discurso e comportamento, que a violência é inaceitável em qualquer circunstância e qualquer que seja a desculpa." "Podem educar os filhos para serem assertivos (não agressivos) e terem consciência dos seus direitos. Podem enfatizar a ideia de que o respeito faz parte integrante do amor. E que o amor não implica anulação nem fusão com o outro."
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