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Fim da obrigatoriedade das provas de recuperação
Lusa / EDUCARE| 2010-02-11
Ministério da Educação anunciou ontem, em reunião com os sindicatos dos professores, que as provas de recuperação de alunos com excesso de faltas deixarão de ser obrigatórias.
Segundo João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), o Ministério da Educação (ME) "anunciou algumas alterações no estatuto do aluno, eliminando a obrigatoriedade da realização de provas de recuperação e ainda a simplificação de procedimentos ligados a processos disciplinares" a estudantes, durante uma reunião com os sindicatos marcada para discutir eventuais alterações no regime dos horários dos professores.

João Dias da Silva referiu à Lusa, no final da reunião com o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Ventura, que o ME "não acolheu as propostas" da FNE relativas aos horários dos professores, nomeadamente que algumas actividades do trabalho docente passassem a ser consideradas componentes lectivas.

O ME alegou razões de ordem financeira para recusar atender a estas propostas dos sindicatos, ainda segundo João Dias da Silva.

Em contrapartida, prosseguiu o dirigente da FNE, o ME anunciou algumas alterações no estatuto do aluno que ficou de concretizar e entregar por escrito, até quinta-feira, à Federação.

A FNE lamentou que as propostas para eliminação de excessos de tempo de trabalho dos professores não tenham sido acolhidas pelo ME por causa do alegado impacto financeiro.
Apesar de tudo, a FNE entende que "foram encontradas algumas soluções", estando prevista nova ronda de negociações na próxima semana.

A 21 de Janeiro, o ME já tinha anunciado estar a preparar uma revisão do Estatuto do Aluno, para que o diploma corresponda melhor às necessidades de funcionamento das escolas, devendo o processo estar concluído até ao final de Março.

"O Ministério da Educação está a trabalhar na revisão do Estatuto do Aluno para que ele melhor corresponda às necessidades de funcionamento das escolas", anunciou à agência Lusa o secretário de Estado Adjunto e da Educação.

ME não apresenta contraproposta para modificação dos horários dos professores

A Federação Nacional de Professores (FENPROF) manifestou ontem a sua "frustração" perante a inexistência de uma contraproposta da tutela para alterar os horários dos professores e acusou o Governo de desinvestir na educação.

"É uma frustração grande o que daqui se leva, que é zero", disse o secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, no final do encontro de quase três horas com os responsáveis do Ministério da Educação para debater os horários dos professores.

"Recordo que a senhora ministra tem vindo a afirmar que reconhece que os horários dos professores são desadequados do ponto de vista daquilo que é a exigência pedagógica que o professor tem e, portanto, aquilo que os professores hoje estavam à espera era que houvesse uma contraproposta do Ministério no sentido de alterar a legislação, quer em relação à sua componente lectiva, quer não lectiva", referiu.

Mário Nogueira sublinhou que os professores não querem menos horas de trabalho, mas sim "que a organização do trabalho dentro do horário estipulado por lei seja feita de uma forma que permita dar qualidade ao ensino e ao desempenho dos professores".

Segundo o secretário-geral da FENPROF, o Ministério da Educação invocou motivos de "ordem financeira, social e política" para não aceitar as alterações propostas pelos sindicatos, não havendo assim "nenhuma proposta a apresentar".

Assim, aquilo que a tutela apresentou aos sindicatos "são apenas pormenores irrelevantes para efeitos dos horários dos professores", garantiu Mário Nogueira, dando como exemplo "o fim da [obrigatoriedade da] prova de recuperação dos alunos" com excesso de faltas.

"Mas isso são gotinhas de água no meio da grande problemática dos horários dos professores", afirmou o sindicalista, criticando as "opções do Governo".

"Se o Governo quer ter dinheiro para pagar aquilo que é a dívida do BPN, BPP e tudo isso que é o despesismo deste país, não pode evidentemente investir na educação. E não investir na educação quer dizer poupar na qualidade do ensino e penalizar as nossas crianças e jovens."

A FENPROF voltará a reunir-se com a equipa ministerial na próxima sexta-feira, 19 de Fevereiro.


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COMENTÁRIOS
Horário dos Professores
Como professora,concordo com algumas alterações no estatuto da carreira docente, mas é necessário que saibam fazê-lo. Política economicista na educação deve ser a última coisa a ser feita. A base para a formação de profissionais competentes em todas as áreas, começa precisamente na escola. Já não há lugar para longos diálogos entre professores e alunos, como já tive em inicio de carreira! E que bem que lhes faziam esses diálogos informais, fora do contexto de sala de aula. Nem redução temos da componente lectiva para exercer o cargo de Directora de Turma! É inadmissivel... Tenho 2 Direcções de Turma e posso garantir Srs Ministros, é uma corrida contra o tempo, é impraticavel e há efectivamente falta de tempo para dar o acompanhamento necessário aos discentes a todos os níveis. NÃO QUEIRAM PAGAR A CRISE COM O ESSENCIAL PARA O DESENVOLVIMENTO DO PAÍS, QUE É A EDUCAÇÃO. SRS MINISTROS: FALTA-NOS TEMPO PARA INCUTIR OS VALORES ESSENCIAIS NOS JOVENS PORTUGUESES.
Anabela  Prata, V.N.Gaia
12.02.2010
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