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Espaço de emoções
Sara R. Oliveira| 2010-01-13
A primeira escola dos sentidos portuguesa nascerá em Vila Nova de Gaia. Uma estrutura desenhada para 500 crianças do pré-escolar ao Ensino Básico, com quintal, museu, laboratório de ciências e biblioteca aberta à cidade. Os pais poderão almoçar com os filhos.
O conceito existe mas nunca tinha sido aplicado no nosso país. A primeira escola dos sentidos, para despertar emoções e reacções espontâneas, será erguida na Serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia. Mais do que uma estrutura física de betão, construída tijolo a tijolo, o espaço tem uma filosofia que trespassa paredes. A escola será um espaço aberto à cidade. Pais, alunos, professores, familiares, cidadãos terão acesso à sala de estudo e à biblioteca, de forma a incentivar a partilha de experiências e a troca de ideias entre diferentes gerações, e poderão almoçar ou lanchar no estabelecimento de ensino.

Os alunos terão à disposição um atelier dedicado às artes e um laboratório de ciências e tecnologia. Mais um quintal para despertar o interesse pelo meio ambiente, um polidesportivo preparado para acolher eventos de alta competição, um gabinete médico focado na sensibilização de estilos de vida saudáveis, e um museu com uma exposição permanente dedicada ao ensino e uma área para mostras temporárias, a cargo da imaginação da comunidade escolar. O equipamento poderá estar concluído no final deste ano.

"Queremos que esta escola constitua um espaço de abrigo aos sonhos das crianças e acentue o diálogo e a sensibilidade entre as várias gerações", revela o arquitecto Joaquim Massena, autor do projecto, numa nota enviada à comunicação social. O ambiente natural é bastante valorizado: dos 10 mil metros quadrados disponíveis, mais de 60% ficarão livres de construção. "A escola dos sentidos principia a construção de um equipamento de futuro que poderá vir a reforçar a relação internacional na educação", acrescenta o arquitecto, que foi recolhendo sugestões e ideias nos vários países que visitou com esse propósito.

A nova escola pretende também estimular a curiosidade estética dos mais novos e ser um motivo, por si só e como infra-estrutura, de aprendizagem. Durante a fase de concepção do projecto, pais, professores, familiares, câmara e comunidade reuniram-se para discutirem o processo, criando um conselho de acompanhamento municipal. "Este projecto reflecte a capacidade crítica de 25 anos de actividade, condensada num pensamento unificador da arquitectura, das artes e da economia das ciências, reiterando que a concepção de um equipamento público não constitui noções ou disciplinas isoladas", sublinha o arquitecto.

O novo espaço irá receber 500 crianças da pré-escola ao Ensino Básico e ficará na avenida D. João II, junto à ponte do Infante e em frente à Real Companhia Velha. "A arquitectura é destinada às pessoas e, como tal, deve potenciar o diálogo, a participação e o contraditório", defende Joaquim Massena. O campus escolar público representa um esforço financeiro de cerca de cinco milhões de euros a cargo da Câmara de Gaia.


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