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Professores com "Bom" sujeitos a vagas
Sara R. Oliveira| 2009-12-29
Observação de aulas é exigível para atingir 3.º e 5.º escalões. Avaliação de desempenho desenvolver-se-á em ciclos de dois anos lectivos, como estava previsto. A carreira será estruturada com uma única categoria. Estas são algumas das propostas do Ministério da Educação.
Tudo dependerá da fixação anual de vagas. Os professores avaliados com "Bom" que não tenham vaga para atingir o 3.º, 5.º e 7.º escalões terão prioridade de acesso a esses lugares no ano seguinte, mas a seguir aos docentes que tenham notas superiores. Duas classificações consecutivas de "Excelente" ou um "Excelente" e um "Muito Bom" significam uma bonificação de um ano no acesso ao escalão seguinte. Dois "Muito Bom" seguidos permitem uma bonificação de seis meses. Estas são algumas das propostas que o Ministério da Educação (ME) acaba de apresentar aos sindicatos do sector.

Mas há mais. A observação de aulas é um dos requisitos para atingir o 3.º e o 5.º escalões. A tutela mantém uma prova pública de ingresso na profissão e um período probatório de um ano, em que a observação de aulas é obrigatória. E acaba com a divisão da carreira em duas categorias. "A carreira será estruturada com uma única categoria e com desenvolvimento indiciário em 10 escalões, sendo que os módulos de tempo de serviço em cada escalão terão a duração de quatro anos, com excepção do 5.º escalão, cuja duração será de apenas dois anos", lê-se no documento enviado às estruturas sindicais. Feitas as contas, se não houver qualquer bonificação, um professor poderá alcançar o topo da carreira ao fim de 34 anos de serviço.

Voltando à contingentação. "O preenchimento de vagas far-se-á de acordo com uma lista graduada em função do resultado da avaliação do desempenho e demais elementos relevantes para a progressão", sublinha-se no documento. Os professores com "Excelente" e "Muito Bom" continuam a ter acesso garantido ao 3.º, 5.º e 7.º escalões. O despacho que, no próximo ano, fixar o número de vagas, para a progressão a esses escalões, assegurará "pelo menos" a subida de 80, 50 e 30% dos candidatos estimados a cada um dos escalões.

A avaliação do desempenho continua a ter por referência os objectivos do projecto educativo e dos planos anual e plurianual de cada escola ou agrupamento. A entrega dos objectivos individuais passa a ser facultativa. O processo desenvolve-se em torno dos seguintes elementos: o relatório de auto-avaliação, a observação de aulas (pelo menos duas por ano lectivo para quem queira ter "Excelente" ou "Muito Bom" ou aceder ao 3.º e 5.º escalões) e a ficha de avaliação global e atribuição da classificação. Nesse sentido, será criada uma comissão de coordenação da avaliação em cada escola, constituída pelo presidente do conselho pedagógico e mais três docentes da mesma estrutura. O relator terá de ser da mesma área do professor avaliado, e nunca de uma categoria inferior, e será desenvolvido um programa de formação especializada para avaliadores.

A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) considera que há alterações a fazer à proposta global do ME. Numa mensagem enviada à Lusa, Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, adianta que, "de imediato, pode dizer-se que para merecer acordo a proposta carece de muitas alterações". E mais não diz. A estrutura sindical deverá tomar uma decisão esta quarta-feira, depois de reunir o seu secretariado nacional e após mais um encontro negocial com a tutela. Na semana passada, o regresso à contestação era uma possibilidade em cima da mesa. A Federação Nacional de Sindicatos da Educação (FNE) também não está totalmente satisfeita com a proposta. As estruturas sindicais contêm-se nas declarações e esperam pelo encontro desta quarta-feira para decidir se devem ou não assinar o acordo de princípios.

Para o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Ventura, o documento permite "esclarecer e pormenorizar questões mais sensíveis e algumas das propostas que foram consideradas vagas pelos sindicatos". "Os docentes não serão prejudicados com a revisão do Estatuto da Carreira Docente", garantiu.
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