O Portal da Educação
Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
arquivo | registo | faça do educare a sua homepage pesquisar
Notícias
Cortar com o ciclo da violência
Sara R. Oliveira| 2009-07-03
Estudo da União de Mulheres Alternativa e Resposta revela que 6% de 415 alunos e alunas, do 7.º ao 12.º anos de escolaridade, já sentiram a violência na pele.
Os dados dão que pensar: 33% de 415 rapazes e raparigas do 7.º ao 12.º anos de escolaridade, de 18 estabelecimentos de ensino do Grande Porto, garantem que já foram vítimas de violência física ou psicológica. Seis por cento admitem ter sofrido violência física e somente 19% dizem reconhecer comportamentos de violência psicológica como violência. Os resultados fazem parte de um estudo da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), no âmbito do projecto Mudanças com Arte, que arrancou há cinco anos. Iniciativa que inclui 15 sessões anuais com alunos de diversas idades, em que vários técnicos abordam temas da problemática de género, violência, segurança, direitos humanos e competências sociais.

"É uma realidade preocupante. Tantos anos depois do 25 de Abril e de tanta legislação sobre a matéria e 33% dos jovens inquiridos afirmam que já tinham sido sujeitos a alguns comportamentos de violência", refere Maria José Magalhães, presidente da UMAR. E mais preocupante se torna quando os resultados do estudo, feito em contexto escolar, vão ao encontro de um estudo de âmbito nacional feito a adultos e que revela que uma em cada três mulheres já foi vítima de violência. A ideia de que as percentagens seriam inferiores nos mais jovens acaba de ser contrariada. "É preocupante que essa percentagem se mantenha nos jovens que serão adultos no futuro."

A responsável pela UMAR defende que há muito trabalho a fazer a determinados níveis e de forma a envolver várias instituições. "A educação está a falhar." Na sua opinião, as escolas têm um papel importante. "É fundamental introduzir no currículo das escolas quer conteúdos comportamentais, procedimentais, quer atitudinais." "A escola tem obrigação de integrar essas matérias nos seus currículos para prevenir as próximas gerações." Não apenas concentrar-se na transmissão de conhecimentos, mas também "preparar para uma cidadania" fundamental para o desenvolvimento social.

Maria José Magalhães considera, no entanto, que "não se pode exigir aos docentes que façam algo de novo". A violência e a problemática do género devem, em seu entender, fazer parte da própria formação inicial dos docentes. E aí as instituições de Ensino Superior têm uma importante palavra a dizer e trabalho a fazer.
 
Mas não é só na escola que os assuntos devem ser tratados. A família é um suporte essencial. "Se as crianças são socializadas no meio de violência, chegam à escola e vão estender essa forma de estar com os colegas e nas relações com as professoras", alerta a responsável. A família, que, "tecnicamente, devia ser o espaço mais seguro, de apoio e respeito mútuos", pode fazer toda a diferença. "A necessidade de mais precocemente cortar com um ciclo de violência é fundamental e é importante que isso seja assumido também de forma preventiva."

Mudanças com Arte, projecto que utiliza várias ferramentas artísticas e articulado com os currículos escolares, pretende prevenir a violência de género e a intervenção tem dado frutos nos alunos do Ensino Básico, 3.º ciclo e Secundário. Sensibiliza-se e mostra-se como fazer para saber lidar com sinais de violência. O que se tem verificado é que no primeiro ano de trabalho há alterações das concepções sobre violência e ao fim de três uma mudança de atitude dos jovens. E os professores também não têm ficado indiferentes.
Notícias mais recentes
CDS propõe fim da figura de professor titular2009-11-11
Pais preferem que filhos estudem pelos manuais2009-11-11
Revisões sem data marcada2009-11-11
Inscrições para o Magalhães2009-11-10
Aqui há (muito) gato!2009-11-06
Avaliação: "Não há pontos que não se possam mudar"2009-11-05
Avaliação volta ao centro do debate 2009-11-05
Crucifixos nas escolas: sim ou não?2009-11-05
Isabel Alçada: a senhora que foi às escolas2009-11-04
Consolidação na Educação2009-11-03
330 alunos com gripe A em Valença 2009-11-02
Aprender a falar com as mãos2009-11-02
Noticiar a infância: entre o direito de informar e o dever de proteger2009-10-30
Novos secretários de Estado2009-10-29
FNE quer sinais de negociação do modelo de avaliação 2009-10-29
FENPROF pede suspensão de modelo de avaliação2009-10-28
Mais autonomia para as escolas2009-10-28
Os sinais do insucesso escolar2009-10-28
Reciclar para transformar2009-10-26
O EDUCARE.PT acredita na responsabilidade e civismo dos seus utilizadores.
Alguns comentários poderão ser sujeitos a um processo de verificação, pelo que só serão publicados após a respectiva validação. Reservamo-nos o direito de remover todos os comentários que não forem considerados pertinentes para a matéria em análise, bem como todos aqueles que não se encontrem devidamente identificados e/ou que apresentem linguagem imprópria. Não é permitida a difusão de produtos ou actividades considerados irrelevantes para a matéria em análise.
Lembramos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, especialmente no que diz respeito à veracidade dos dados e das informações transmitidas.
ARQUIVARIMPRIMIRENVIARSUGESTÃO
Publicidade
registo | newsletters
Termos e condições de acesso | Estatuto Editorial
Publicação diária | Nº registo do GMCS: 123727 | Director: Rui Almeida Pacheco
Propriedade: Porto Editora, Lda. | CRC PORTO e NIPC: 500 221 103 | Soc. por Quotas | Cap. Soc. EUR 1.400.000

Rua da Restauração, 365, 4099-023 Porto | Tel.: 22 608 83 26 | Fax: 22 608 83 27
E-mail: assistente@educare.pt
 

Actualidade | Opinião | Fóruns | Agenda | Legislacao | Outras Informações | EducareTV