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| Ciência de vários ângulos |
| Sara R. Oliveira| 2009-06-30 |
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| "Na Escola ComCiência - Encontros e Desafios" junta cerca de 300 projectos escolares no Europarque, em Santa Maria da Feira. Arsélio Martins falou da Matemática e Jacinta Moreira dos trabalhos de campo. |
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É quase como um labirinto cheio de equações, tubos de ensaio, robôs comandados à distância, folhetos que alertam para doenças sexualmente transmissíveis, cartazes que explicam os passos dados numa determinada experiência, explicações pormenorizadas de um projecto. Mais computadores com jogos, televisões com trabalhos feitos em salas de aula, material promocional. Mais de 300 projectos escolares da área da ciência de cerca de uma centena de estabelecimentos de ensino de todo o país tomaram conta do Europarque, em Santa Maria da Feira. "Na Escola ComCiência - Encontros e Desafios", iniciativa organizada pelo Ministério da Educação através da Direcção Regional de Educação do Norte, termina hoje num programa de 36 horas sem parar. E sempre com a ciência por perto.
Vários tubos de ensaio têm água que espera por ser analisada. Marta Sofia, de 9 anos, está concentrada a descobrir o PH, nitratos, nitritos e outras substâncias da água recolhida no rio Onda. "Está a correr bem. É fácil, é muito interessante". A professora da EB1 de Pinhal, de Labruges, Vila do Conde, faz perguntas e Marta conta o que é feito na sua sala de aula e não só. "Fazemos estas análises na escola e às vezes vamos para o rio analisar para ver se a água muda", revela. O papel com os valores começa a ficar preenchido e ainda é preciso analisar o líquido da ribeira da Lage e da água do poço. Beatriz Macedo, de 7 anos, não hesita. "A água do rio está má, superpoluída".
Trabalhos de ensino experimental em exposição, espectáculos de música e dança, teatro, conferências, espaços dedicados a jogos, uma clínica pediátrica que trata dos computadores Magalhães, concertos. Pedro Azevedo, de 13 anos, da Secundária de Oliveira do Douro, aproveita uma pausa para jogar com os amigos nos computadores. "Está a ser interessante, vêem-se coisas novas, conhecem-se actividades de outras escolas", comenta.
"Para si, o que é a Matemática?" A pergunta foi feita por Sofia Figueiredo, a melhor aluna de Matemática o ano passado e moderadora do primeiro encontro do "ComCiência". A questão foi dirigida ao único convidado do painel "Com a Matemática", ou seja, Arsélio Martins, distinguido com o Prémio Nacional de Professores em 2007 e presidente da Associação de Professores de Matemática. "A primeira resposta é que não tenho ideia nenhuma. É como se pensasse na energia eléctrica que pode ser muita coisa, pode vir de muitos lados e não se sabe para onde vai", respondeu.
Ao longo de uma hora, Arsélio Martins falou da disciplina dos números. "É uma ciência de nomeação." Com os seus obstáculos. "Habitualmente temos muita dificuldade em distinguir duas coisas: a Matemática vai basear o seu objecto de estudo à realidade, ao mesmo tempo que baseia toda a sua potência na abstracção". E o insucesso? Arsélio Martins recordou que no passado também havia insucesso, ou melhor "afastamento voluntário da população do conhecimento científico", mas que agora a falta de aproveitamento é mais visível. Por outro lado, o professor destacou as exposições dedicadas à Matemática, as mostras itinerantes, a visibilidade que têm tido. "Ser professor é a única profissão que se tem de estudar toda a vida. Todos os dias até ao fim dos dias".
Jacinta Moreira, distinguida com o Prémio Nacional de Professores em 2008, professora de Biologia e Geologia, participou no encontro "Fazer ciência com...". A docente centrou as atenções no trabalho de campo e nas suas potencialidades. Um trabalho que "permite o desenvolvimento de projectos muito engraçados, desenvolvimento de atitudes, de comportamentos de relacionamento, de aprendizagens de defesa do património natural e construído". E lembrou a dificuldade de compartimentar as áreas do saber e de incutir nos alunos que "o conhecimento se faz de avanços e recuos."
Um fio de nylon, um balão, uma bomba de ar e uma palhinha. Átila Gören, professor de Físico-Química, mostrou que não são precisos grandes equipamentos para fazer experiências com os alunos. Na sua opinião, os professores devem "orientar e motivar" esses trabalhos que, muitas vezes, ocupam mais do que o horário estipulado para quem ensina. Filipe Ressurreição, professor de Biologia, acrescentou que é preciso envolvimento dos docentes para que os projectos científicos se concretizem nas escolas. E chamou a atenção para a falta de "cultura de partilha de equipamentos" e a importância de contrariar esse cenário para o bem da ciência. Jacinta Moreira concordou. "Muitos equipamentos estão fechados e trava-se o uso com medo de estragar."
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