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Movimentos independentes de professores preferiam lutas "mais radicais"
Lusa / EDUCARE| 2009-05-28
Os movimentos independentes de professores que vão participar na manifestação do próximo sábado consideram que os sindicatos deveriam ter apresentado um plano de lutas "mais radical" para o segundo e terceiro períodos, com greves por tempo indeterminado.
"Durante o segundo período, os sindicatos foram-se entretendo com as reuniões com o Ministério da Educação e deixaram arrefecer a luta. Tinha sido fundamental que logo em Janeiro tivesse havido uma greve por tempo indeterminado.

Certamente teria os efeitos pretendidos", afirmou Ilídio Trindade, do Movimento Mobilização e Unidade dos Professores, em declarações à agência Lusa.

A opinião é partilhada por Mário Machaqueiro, da Associação de Professores em Defesa do Ensino (APEDE), que sublinha a importância de um plano de luta "mais consistente", a apontar para formas de protesto "mais radicais".

"Os professores sentem nas escolas as consequências da política educativa e pedem que as suas exigências sejam satisfeitas o mais rapidamente possível. Isso não se coaduna com os timings das negociações sindicais", afirma Mário Machaqueiro, classificando de "ridícula" a greve de dois tempos lectivos realizada terça-feira de manhã.

Para o coordenador do movimento PROMOVA, é evidente que a contestação "deveria ter seguido outro caminho", uma vez que já era expectável que as negociações de revisão do Estatuto da Carreira Docente "não iam dar em nada.

"Os sindicatos deviam ter entrado em negociações mas sempre com a pressão iminente da luta dos professores. Era previsível que o Ministério da Educação estava de má-fé, a empatar o tempo para manter os ânimos calmos até ao final da legislatura", afirmou Octávio Gonçalves.

A manifestação de sábado, defendeu, deveria realizar-se na sexta-feira, simultaneamente com uma greve nacional, a culminar outros quatro dias de paralisações regionais.

As duas últimas grandes manifestações de professores, a 8 de Março e 8 de Novembro de 2008, reuniram em Lisboa cerca de 100 mil e 120 mil docentes, respectivamente, segundo os sindicatos.

Questionado sobre uma possível menor adesão de docentes à manifestação de sábado, em Lisboa, Octávio Gonçalves sublinha que, além do "cansaço e do desgaste", muitos professores podem já ter expectativas em relação às próximas eleições legislativas.

"Muitos professores consideram que é a partir daí que o rumo das políticas educativas pode mudar. Se o PS perder a maioria absoluta, isso pode dar alguma esperança aos professores", afirmou.

No entanto, segundo Mário Machaqueiro, os sinais que chegam das escolas e da blogosfera indicam que "a adesão poderá ser maior do que aquilo que as pessoas imaginam". Para o responsável da APEDE, é ainda "negativo" que os dirigentes sindicais já tenham dado a entender que poderão não realizar-se mais protestos até ao final do ano lectivo.

"Acho que há sempre tempo para mais lutas, mais protestos, mais acções, mas é natural que se intensifique a partir do próximo ano lectivo e antes das eleições", afirma, por seu turno, Ilídio Trindade, considerando difícil que no sábado se atinjam os números de outras manifestações, até porque não há a "efervescência" de outros momentos.

Para Octávio Gonçalves, o protesto de sábado será a última oportunidade para os professores fazerem um balanço do que foi uma "lesgislatura falhada" em termos de Educação e reflectirem sobre a "afronta" do PS à classe nos últimos quatro anos.

O protesto de sábado, convocado por todos os sindicatos do sector, é de exigência de revisão "efectiva" do Estatuto da Carreira Docente, de suspensão e substituição do actual modelo de avaliação de desempenho e de manifestação, junto dos partidos políticos, da necessidade de assumirem compromissos "claros" no sentido de ser "profundamente alterado" o rumo da política educativa na próxima legislatura.
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