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Greve paralisa escolas em todo o país
Sara R. Oliveira| 2009-01-19
Plataforma sindical fala numa adesão superior a 90% e garante que os professores não vão baixar os braços. Tutela lamenta a "posição intransigente dos sindicatos".
Escolas sem aulas, avisos de encerramento por causa da greve, portões abertos mas poucos professores dentro das salas, alunos que entraram à primeira hora da manhã e que pouco depois regressaram a casa. Era este o cenário na manhã desta segunda-feira. A greve nacional da classe docente poderá ter registado uma adesão semelhante à realizada em Dezembro, segundo números dos sindicatos. Na última paralisação, as estruturas sindicais avançaram com uma adesão na ordem dos 94%, embora o Ministério da Educação (ME) tenha adiantado um valor diferente, de 66,7%. Hoje fala-se numa adesão acima dos 90%.

Um pouco por todo o país, várias escolas não tiveram uma única aula. Segundo a Federação Nacional dos Professores (FENPROF), 27 escolas da região de Lisboa não estavam a funcionar às 10 horas da manhã, como as escolas básicas do 2.º e 3.º ciclos Avelar Brotero, Conde Oeiras, da Pontinha e secundárias Gil Vicente, Alcanena e Rio Maior. A Secundária D. João V, na Amadora, teve menos de um terço dos docentes a trabalhar. Na Secundária da Cidadela, em Cascais, previa-se uma adesão de mais de 90%. Em três primárias de Carcavelos, as aulas decorreram como habitualmente. A escola básica das Amoreiras e a EB 2,3 de Aranguez, em Setúbal, fecharam no início da manhã. A Secundária Madeira Torres, de Torres Vedras, também encerrou. Várias escolas estiveram abertas, mas a funcionar a meio gás, como aconteceu na Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho, em Lisboa, na secundária do Restelo e em várias dos concelhos de Leiria, Marinha Grande e Alcobaça. E no Agrupamento Dra. Maria Alice Gouveia, em Coimbra, foi lida uma moção, aprovada por unanimidade, em que os professores se comprometem a não avançar com qualquer procedimento da avaliação de desempenho.

Na Região Norte, o panorama não foi muito diferente. A EB 1 João de Deus e a Secundária Clara de Resende não tiveram aulas. "A primeira impressão colhida é a de que há uma fortíssima adesão à greve, a níveis muito próximos - mais ponto, menos ponto - dos atingidos em 3 de Dezembro", referiu Manuela Mendonça, coordenadora do Sindicato dos Professores do Norte, em declarações à agência Lusa. No Algarve, os sindicatos avançaram com uma adesão na ordem dos 90%, enquanto a Direcção Regional de Educação do Algarve avançava com 74% nas primeiras horas da manhã. Na EB 2,3 D. Afonso III, em Faro, onde só foi dada uma aula à primeira hora, colou-se um cartaz que dizia: "Professores e educadores todos juntos em luta por um estatuto profissional digno e valorizado". Na EB 2,3 do Montenegro, também em Faro, a adesão foi de 100%, enquanto na Secundária de Tomás Cabreira foi de cerca de 45%.

"Puro boicote"
Entretanto, cinco movimentos de professores não sindicalizados, que se associaram à greve, emitiram um comunicado para explicar à sociedade portuguesa os motivos do protesto e garantir que os alunos não serão prejudicados. As estruturas sublinham que as várias manifestações e vigílias foram feitas fora do horário escolar, "ao fim do dia ou aos sábados para não prejudicar os alunos". E lembram que os professores "querem ser avaliados por processos justos e que contribuam para o seu aperfeiçoamento profissional", que não estão a pedir aumentos salariais, mas sim a lutar por "leis que valorizem a sua função e os ajudem a combater a indisciplina e a violência que têm vindo a crescer nas escolas".

A Plataforma Sindical dos Professores garantia, ao início da manhã, uma adesão de mais de 90%. Mário Nogueira, porta-voz da estrutura e secretário-geral da FENPROF, esteve na Secundária Jaime Cortesão, em Coimbra, onde não houve aulas, e aproveitou para fazer um balanço. "Os professores estão de parabéns." "Se a ministra da Educação não tiver condições para ser ela uma das protagonistas dessa mudança, o Governo vai ter de encontrar quem possa sê-lo, porque hoje os professores, de forma inequívoca, estão a deixar claro que não aceitam e vão continuar a lutar contra esta política", sublinhou. O modelo de avaliação dos professores e o Estatuto da Carreira Docente (ECD) são, uma vez mais, os principais motivos do descontentamento. Ao início da tarde desta segunda-feira, a Plataforma Sindical entregou um abaixo-assinado com 70 mil assinaturas, que reclama a revisão do ECD, no ME. O documento foi ainda entregue nos governos civis do Porto, Braga, Bragança e Viana do Castelo.

A tutela reagiu à situação. "Independentemente da adesão, que me parece bastante inferior à da última greve, lamento a posição intransigente dos sindicatos nesta matéria, apesar das condições que foram criadas", salientou o secretário de Estado da Educação, Válter Lemos. "Lamentamos que os sindicatos de professores se mantenham com aquele radicalismo e aquela intransigência que têm tido sempre, mas a verdade é que o processo [de avaliação] está a decorrer com normalidade", acrescentou. O também secretário de Estado da Educação Jorge Pedreira, em afirmações à Lusa, classificou de "puro boicote" à avaliação a greve às aulas assistidas. "Vem demonstrar, no fundo, que aquilo que os sindicatos querem é que não haja nenhuma avaliação", afirmou.

Mário Nogueira respondeu e repudiou "as pressões e ameaças" da tutela para levar por diante a avaliação da classe. "O ME enganou-se e vai enganar-se cada vez mais. Os professores responderão mantendo aquilo que são as suas posições. O apelo que fazemos é que não apenas suspendam o modelo, como não entreguem objectivos individuais", referiu. E acrescentou: "O que os professores sabem é que neste modelo, apesar dos procedimentos simplificados, não se altera em nada a sua essência. É um modelo burocratizado, incoerente, desadequado, que tem quotas."
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COMENTÁRIOS
a nossa indignação
Não podemos baixar os braços perante a arrogância desta ministra e sua equipa. Estaremos todos loucos? Não, sra. Ministra. Oiça os professores e verá que ainda estamos a tempo de encontrar um modelo de avaliação que dignifique o sistema de ensino e não atinga os seus profissionais. Se quiser, sra, Ministra, falo consigo. Isto se me quiser ouvir.
Rute Alexandra Campos Domingos  Domingos, Lagos
21.01.2009
Como é possível?????
Eu pergunto como é possível que este Ministério não abra os olhos para aquilo que é evidente..... como é que conseguem dizer que SÓ 40 e tal % de escolas é que estiveram fechadas..... o que é para eles uma escola aberta? Mas afinal os professores são lá precisos? Qualquer dia defendem que os alunospodem muito bem estar SÓ com os funcionários pois a escola funciona lindamente! Como é possível o Valter Lemos dizer "lamento a posição intransigente dos sindicatos nesta matéria, apesar das condições que foram criadas", quando foi o próprio Ministério que SEMPRE se mostrou intransigente e fechado a alterações! É este "presente envenenado" que ele considera como alterações necessárias. Como é possível ser-se tão sínico e falso...... como é possível "virar o bico ao prego" com tanta facilidade....
Michele Maria Castelo Duarte, Leiria
19.01.2009
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