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Provas de Aferição: negativas a Matemática caem para menos de metade
Lusa / EDUCARE| 2008-06-18
Ministra da Educação congratulou-se com a melhoria registada nas provas de aferição de Língua Portuguesa e Matemática do 4.º e 6.º anos e rejeitou qualquer crítica de facilitismo.
"É com particular satisfação que registamos uma melhoria muito significativa nas provas de aferição, sobretudo na disciplina onde se pensa que há uma fatalidade [Matemática], mas não há fatalidade nenhuma", garantiu a titular da pasta da Educação, , Maria de Lurdes Rodrigues, hoje em conferência de imprensa.

De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Educação (ME), 18,3% dos alunos obtiveram negativa na prova de aferição de Matemática do 6.º ano, enquanto que no ano passado este valor se situou nos 41%. No 4.º ano, a percentagem de negativas caiu de 19,7% para 8,8%.

Quanto à prova de Língua Portuguesa, a percentagem de positivas no 6.º ano passou de 85,4% para 93,4%, enquanto no 4.º ano houve uma melhoria menor, de 0,4 pontos percentuais.

Visivelmente satisfeita com os resultados, Maria de Lurdes Rodrigues adiantou que a Matemática, os alunos do 4.º ano revelaram "progressos significativos" ao nível da competência "números e cálculos", enquanto no 6º ano as melhorias registaram-se na mesma competência e em "geometria e medida".

Quanto a Língua Portuguesa, acrescentou que as melhorias no 4.º ano registaram-se nas componentes relativas ao conhecimento explícito da língua, enquanto as maiores dificuldades surgem na compreensão de textos informativos e poéticos, mais do que de textos narrativos.

A titular da pasta da Educação atribuiu a melhoria dos resultados a medidas como o Plano de Acção para a Matemática, o Plano Nacional de Leitura, acções de formação contínua de docentes e reforço do estudo acompanhado, entre outras.

"Estes resultados provam que é possível melhorar a prestação dos alunos com trabalho continuado e persistente, quando se disponibilizam às escolas meios e recursos. Deve ser saudado o trabalho das escolas e de todos professores. Estamos todos de parabéns", congratulou-se Maria de Lurdes Rodrigues.

Após a realização das provas, a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) sublinhou que os enunciados contêm um "número exagerado de questões demasiado elementares", afirmando por isso que os resultados dos alunos poderiam ser bastante piores se os enunciados fossem "mais exigentes".

Confrontada com esta acusação, a ministra considerou que houve "pouca prudência" e "imprecisão" nas críticas da SPM e garantiu que as provas de 2008 são "equivalentes em complexidade e dimensão" às de 2007.

"Agora é moda dizer-se que as provas são fáceis. A percentagem de alunos que consegue resolver todo o teste é de cinco por cento", afirmou.

"É com alguma mágoa que vejo acusações de facilitismo. São comentários de pessoas que não entendem nada de avaliação educacional", afirmou, por seu turno, o director do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE), Carlos Pinto Ferreira, responsável pelas provas.

A ministra da Educação anunciou ainda que a disparidade de resultados entre o 4.º e 6.º anos levou o GAVE a iniciar um estudo de acompanhamento com alunos que o ano passado estavam no 4.º ano e que no próximo ano realizarão a prova do 6.º, para se verificar se estamos perante um fenómeno de regressão e apurar os motivos.

"Precisamos de um pouco mais de tempo para termos um conhecimento mais profundo do fenómeno", acrescentou Maria de Lurdes Rodrigues.

Mais de 230 mil alunos dos 4.º e 6.º anos de escolaridade realizaram em meados de Maio as provas de aferição, em 6883 estabelecimentos de ensino.

As classificações não contam para a nota final dos alunos, servindo para uma reflexão colectiva e individual sobre a adequação das práticas lectivas, segundo o ME.

Para já, a tutela não especifica o desempenho dos alunos em todas as competências que estavam a ser testadas, uma informação que será analisada nos relatórios que o ME vai elaborar por turma e por escola, que serão em Outubro entregues aos estabelecimentos de ensino.
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COMENTÁRIOS
Areia para os olhos...
É claro que facilitaram as provas para os números serem menos desagradáveis para satisfação da ministra e dos portugueses porque afinal é disto que o povo gosta! Não temos mais do que o que merecemos!...
Ana Maria Azambuja F C Pereira Crespo, Lisboa
21.06.2008
Coincidências
Notável. Toda a gente sabe dizer a razão do aumento de % de positivas a Matemática, menos os especialistas da matéria. Reverencio ou doutos conhecedores da disciplina, ora investidos em funções directivas nos quadros do ME.
Paulo Amílcar Carvalho, Coimbra
18.06.2008
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