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Sexta-feira, 30 de Julho de 2010
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Entrevistas
"Temos de ser menos consumistas, reciclar, apostar nas energias alternativas e estar mais atentos ao meio ambiente"
Joana Silva Santos| 2008-02-26
Sete estudantes portugueses passaram duas semanas na Antárctica integrados na expedição canadiana Students on Ice. Agora recordam como foi a experiência.
Marta Alves, Maria Inês Martins, Miguel Guerreiro, João Covita, Inês Murteira, Irina Boteta e Andreia Raposo [na fotografia da esquerda para a direita], actualmente alunos do 12.º ano e do primeiro ano dos cursos de Biologia, Matemática e Medicina Veterinária, viram os seus projectos distinguidos no concurso nacional "À Descoberta das Regiões Polares", realizado no âmbito do LATITUDE60! - um projecto educativo do Comité Português para o Ano Polar Internacional, apoiado pela Ciência Viva.

Partiram rumo à Antárctica no dia de Natal e regressaram 15 dias depois. Por lá, viveram experiências únicas que partilharam no blogue da iniciativa, em www.aumpassodalatitude60.blogspot.com.

De volta a casa, Irina Boteta, da Escola Secundária do Pinhal Novo, vencedora na categoria "Escritor Polar", e Andreia Raposo, de Grândola, vencedora do primeiro prémio na categoria de "Website", partilham esses e outros momentos com o EDUCARE.PT.

EDUCARE.PT: O que é que as levou a participar no concurso "À Descoberta das Regiões Polares"?
Irina Boteta:
Assisti a uma palestra do geofísico Gonçalo Vieira que despertou a minha curiosidade em relação aos pólos. Iniciei a minha pesquisa, inscrevi-me no concurso e participei na modalidade "Escritor Polar", com um conto infantil que relata uma viagem imaginária à Antárctica.
Andreia Raposo: Eu achei que se tratava de um assunto interessante mas pouco falado. Achei que ao participar ficaria mais informada acerca das regiões polares. E foi o que aconteceu.

E: E no que é que consistia o trabalho que a Andreia apresentou?
AR:
Apresentei o meu trabalho sob a forma de website e consistia principalmente em informação geral sobre o Pólo Sul. Encontrava-se dividido em duas partes, uma mais orientada para o Ensino Básico e outra para o Ensino Secundário, mais aprofundada.

E: Esperavam chegar ao 1.º prémio?
IB:
Sinceramente não, pois lembrava-me sempre que estava a participar num concurso a nível nacional e, de facto, pensei que existissem em Portugal melhores escritores polares.
AR: Também nunca me passou pela cabeça tal coisa. Tratava-se de um assunto tão interessante (a meu ver) que pensei que seria muito pouco provável conseguir o primeiro prémio.

E: Mas acabaram por ganhar... Como é que foram os dias que antecederam a viagem?
AR:
Com muito nervosismo e muita ansiedade! Todos os dias sonhava que já estava em viagem!
IB: Foram dias de preparação e ansiedade. Assistimos a palestras onde aprendemos alguns conceitos relacionados com biologia, geologia, história e política do local. Depois a preocupação era ter tudo pronto a horas e não chegarmos atrasados à viagem dos nossos sonhos.

E: E como foram estes quinze dias?
IB:
Fantásticos e tivemos oportunidade de criar amizades com pessoas com culturas muito diferentes. Aprofundámos os nossos conhecimentos, tanto a nível científico, como pessoal.
AR: Tive a oportunidade de fazer coisas que nunca tinha feito e que, provavelmente, nunca iria fazer se não fosse nesta viagem. Conhecemos a cidade Tierra del Fuego - Ushuaia - onde fizemos algumas caminhadas e passeámos no Parque Natural de Tierra del Fuego. Depois de passarmos dois dias em que só víamos mar, avistámos os nossos primeiros icebergues e iniciámos as nossas visitas ao continente Antárctico. Um dos factores mais importantes foi a possibilidade de conhecer outras culturas e de conviver com pessoas com uma experiência de vida fantástica. Tudo isto conjugado com a tranquilidade e a beleza do grande continente branco... Foi como estar num mundo à parte.

E: Desenvolveram também diversas actividades...
AR:
Durante a viagem assistimos a palestras sobre assuntos tão diversos como oceanografia, aves, baleias, história, etc. A equipa de educação explicava-nos sempre a história e geologia dos diferentes sítios visitados. Nos dois últimos dias em que permanecemos no barco, foi-nos proposto organizar cinco grupos de acção, onde discutíamos os problemas que afectam o planeta e eventuais soluções para os mesmos.
IB: Também tivemos tempo para reflectir sobre nós e sobre tudo o que nos rodeia.

E: Esta experiência mudou de algum modo a vossa vida?
IB:
Sim, mudou-me um pouco a mim própria, bem como a visão do mundo que me rodeia.
AR: Sim. Eu sou aluna de Biologia Marinha e Biotecnologias na Escola Superior de Tecnologias do Mar, em Peniche, e pensava seguir aquacultura. Depois desta viagem passei a interessar-me por oceanografia e glaciologia. Também fiquei mais sensibilizada para os problemas ambientais e encaro as coisas de maneira diferente... dou mais valor aos bens sentimentais.

E: Perante a experiência que viveram, que mensagem gostariam de deixar?
AR:
Numa das palestras fiquei bastante impressionada com uma imagem do Pólo Norte em que se via um urso polar em cima de rochas, não havia gelo. O aquecimento global está a afectar cada vez mais as regiões polares e não só... Nós em Portugal também já notamos alterações no nosso clima e o nível do mar tende a aumentar. As pessoas têm de se mentalizar que o aquecimento global também nos afecta e que o futuro do nosso planeta depende cada vez mais das nossas acções para com a Natureza.
IB: Em vez de pensar apenas nas nossas necessidades, temos de pensar nas do planeta. Estamos a agir sem pensar e a destruir a nossa única casa.

E: E como é que podemos contribuir para salvar o planeta?
AR:
Temos de ser menos consumistas, reciclar, apostar nas energias alternativas e estar mais atentos ao meio ambiente.
IB: Existem muitas acções que podemos tomar no nosso quotidiano para ajudar o nosso planeta, mas de facto o primeiro passo é ter vontade de agir e acreditar que as nossas acções podem comprometer o bom funcionamento do planeta.
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COMENTÁRIOS
Faltas
Será que estes estudantes (principalmente os do 12º ano) têm as faltas justificadas, ou vai ser necessário fazer uma prova de recuperação ?
Manuel Afonso Matias, Lisboa
29.02.2008
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