O Portal da Educação
Sexta-feira, 30 de Julho de 2010
arquivo | registo | faça do educare a sua homepage pesquisar
Notícias
Construir pontes para o autismo
| 2003-05-30
Ajudar uma criança autista é tentar entrar no seu mundo e obrigá-la a vir cá para fora, abrindo e fechando ciclos de comunicação. É o que têm feito o projecto "Ser Diferente - Um Direito" e o Hospital D. Estefânia, através do modelo DIR.

A intervenção precoce, mesmo sem um diagnóstico completamente definido, é fundamental nas crianças com Perturbações do Espectro Autista (PEA). Como aconteceu com o Rafael, um menino que entrou com três anos e meio para o projecto "Crescer Diferente - Um Direito", da Unidade de Avaliação do Desenvolvimento e Intervenção Precoce (UADIP) e da Associação Portuguesa para a Protecção dos Deficientes Autistas (APPDA).

O Rafael foi um dos primeiros seis meninos a fazerem parte do programa de intervenção precoce em crianças com PEA, partindo do modelo "DIR". Basicamente, este modelo consiste em sessões diárias, em que se abrem e fecham ciclos de comunicação, levando a criança a exprimir-se. "Neste modelo não adianta tanto o diagnóstico, vamos é procurar evitar o que incomoda", explicou ao EDUCARE.PT Tânia, a mãe do Rafael, à margem do seminário "Crescer Diferente - Um Direito", que ontem terminou no Porto.

Se o que incomoda são os sons, como é o caso do Rafael, então a ideia é descobrir essa hipersensibilidade, enquanto que, por outro lado, se há uma hipossensibilidade ao tacto, é importante aumentar a pressão no contacto físico. Ao fim de três anos de trabalho o projecto chega ao fim formalmente, embora se estejam a estudar formas de lhe dar continuidade. "É necessário que continue porque os pais, antes de terem apoio, sentem-se desorientados", argumentou a mãe do Rafael. A melhor prova disso é que, tendo começado com meia dúzia de crianças, o "Ser Criança" chegou ao fim com cerca de vinte casos de intervenção.

Se os pais se sentem desorientados, também os profissionais (técnicos educativos, terapeutas, médicos ou psicólogos) careciam de formação na área. Foi o caso de Vânia Peixoto, terapeuta da fala da UADIP, que integrou o programa logo desde o início. "Como já tinha tido contacto com crianças com PEA, senti necessidade de saber mais sobre as formas de intervenção", declarou. Ao longo dos últimos três anos, o projecto formou profissionais, lançou estratégias de ligação com infantários ou escolas com crianças autistas e deu apoio aos pais.

Intervenção precoce no Hospital D. Estefânia

Um pouco à semelhança deste projecto, também em Lisboa, no Hospital D. Estefânia, a Associação de Apoio à Unidade da Primeira Infância traçou um programa de intervenção partindo do DIR ou "Floor Time". O projecto teve início em 1997 e, segundo um balanço realizado em Janeiro deste ano, acolheu 22 crianças com PEA, 12 das quais consideradas severas. Dos 18 casos avaliados, seis registaram um desenvolvimento pobre, 8 razoável e quatro bom ou muito bom.

"Tudo o que a criança indicia tem que ser interpretado", explicou Pedro Caldeira, do Hospital D. Estefânia, convidado para participar no seminário. "As rejeições não são rejeições, mas respostas e é fundamental expandir a comunicação, falar de coisas erradas para que eles nos possam corrigir", afirmou.

Estes projectos são alguns exemplos das pontes que se vão lançando entre os pais, educadores e técnicos para compreender uma perturbação sobre a qual a investigação ainda não deu muitas respostas.

O autismo é uma perturbação do desenvolvimento global, sobre a qual se conhecem os sintomas genéricos, mas não as causas biológicas. Há alguns sinais comuns determinantes para o diagnóstico: é afectada a comunicação com o outro, a interacção e a criatividade.

De resto, não é possível identificar um padrão comportamental ou uma intervenção geral. Cada caso é um caso. Ainda assim, há alguns sinais de alarme que se vão manifestando desde os primeiros meses: isolamento, ausência de jogos de imitação (como fazer cu-cu, dizer adeus...), ausência do jogo do faz-de-conta, ausência de atenção partilhada.

A variedade de sintomas e as doenças que estão associadas ao autismo (epilepsia, surdez ou até mesmo uma doença mental) dificultam muito um diagnóstico precoce seguro, mas, graças a modelos como o DIR, é possível entrar no mundo destes meninos, desenvolvendo competências, mesmo antes de se fazer o diagnóstico completo de cada caso específico.

Notícias mais recentes
Há 30 anos a falar de educação sexual 2010-07-28
"Ciganos vivem a escola como exercício de corda bamba"2010-07-26
Retenção por excesso de faltas deve ser solução de "fim de linha"2010-07-23
Novo Estatuto do Aluno aprovado amanhã2010-07-21
Gulbenkian distingue projectos educativos2010-07-21
Observações na segunda fase dos exames 2010-07-20
Sócrates diz que todas as escolas vão estar ligadas à Internet de alta velocidade em breve2010-07-19
Nenhum aluno do 8.º ano com mais de 15 anos concluiu o Ensino Básico2010-07-19
Estatuto do Aluno aprovado na especialidade2010-07-16
ME e sindicatos discutem avaliação em funções fora das escolas ou sem turmas2010-07-16
Mega-agrupamentos avançam, contra o parecer do Conselho das Escolas2010-07-15
Abandono escolar desceu mas ainda é superior à média da UE2010-07-15
Menos dores de cabeça na segunda fase 2010-07-14
Quase metade dos alunos com negativa no exame de Matemática2010-07-13
Cerca de 54 mil vagas disponíveis para acesso ao Ensino Superior2010-07-13
Prevenir a violência no namoro 2010-07-12
CONFAP apela para que pais rejeitem extinção de escolas 2010-07-12
Agregação de agrupamentos sem implicações para alunos e pais 2010-07-12
Médias sobem a Matemática e descem a Português 2010-07-09
O EDUCARE.PT acredita na responsabilidade e civismo dos seus utilizadores.
Alguns comentários poderão ser sujeitos a um processo de verificação, pelo que só serão publicados após a respectiva validação. Reservamo-nos o direito de remover todos os comentários que não forem considerados pertinentes para a matéria em análise, bem como todos aqueles que não se encontrem devidamente identificados e/ou que apresentem linguagem imprópria. Não é permitida a difusão de produtos ou actividades considerados irrelevantes para a matéria em análise.
Lembramos ainda que todas as mensagens são da exclusiva responsabilidade dos participantes, especialmente no que diz respeito à veracidade dos dados e das informações transmitidas.
ARQUIVARIMPRIMIRENVIARSUGESTÃO
Publicidade
registo | newsletters
Termos e condições de acesso | Estatuto Editorial
Publicação diária | Nº registo do GMCS: 123727 | Director: Rui Almeida Pacheco
Propriedade: Porto Editora, Lda. | CRC PORTO e NIPC: 500 221 103 | Soc. por Quotas | Cap. Soc. EUR 1.400.000

Rua da Restauração, 365, 4099-023 Porto | Tel.: 22 608 83 26 | Fax: 22 608 83 27
E-mail: assistente@educare.pt
 

Actualidade | Opinião | Fóruns | Agenda | Legislacao | Outras Informações | EducareTV
RSS Twitter Facebook YouTube