Divulgar entre os mais novos o património e o legado de luta pelos direitos individuais e direito à indignação defendidos pelo general Humberto Delgado. São esses os propósitos da mais recente iniciativa da Fundação Humberto Delgado que, através da sua Secção Pedagógica, está a organizar um projecto denominado "De mãos dadas para a cidadania".
Cidadania é mesmo a designação chave de todo este projecto, que a fundação espera que venha a ser aproveitado e articulado pelas escolas através da disciplina de Educação para a Cidadania, prevista na futura reorganização curricular.
Para além da edição de materiais que estão a ser elaborados pelos diversos docentes que colaboram voluntariamente com a Fundação Humberto Delgado, o principal objectivo desta iniciativa é levar a cabo sessões de formação de docentes no âmbito da aplicação de novas metodologias e métodos de ensinar a cidadania.
Mesmo só contando com pouco mais de dois meses de preparação, encontram-se já agendadas conferências em 18 escolas do País, incluindo a Madeira. Maria Relvas Gonçalves, a coordenadora do projecto, ressalva que não estava à espera de uma resposta tão positiva por parte das escolas. A adesão significativa tem mesmo levantado alguns problemas de calendarização.
Sem nunca pôr em causa o empenho do Ministério da Educação, do qual diz ter recebido todo o apoio, Maria Relvas Gonçalves defende a maior agilidade e capacidade da sociedade civil como agente catalisador dos mais variados projectos. É o caso da fundação que, como recebe a colaboração de inúmeros professores, acaba por ter uma maior facilidade em chegar às escolas. "Normalmente o que acontece é o ministério enviar os projecto para as escolas, alguém os carimba e fica esquecido num qualquer canto da Biblioteca".
Pretendendo arrancar em força no próximo ano lectivo, a Fundação Humberto Delgado pretende realizar e distribuir nas escolas uma maleta pedagógica multi-usos, guiões pedagógicos que possam ser utilizados pelos professores e um livro ligado às questões da Cidadania, coligindo os inúmeros textos de docentes do ensino básico, secundário e superior que têm recebido.
Mas, se os projectos, o empenho e a "carolice" são muitos, o mesmo já não se pode dizer do dinheiro para os pôr em prática. "Com todo este entusiasmo inicial, acabámos por descurar esse factor tão importante", reconhece Maria Relvas Gonçalves. Uma situação que espera seja resolvida com o pedido de financiamento que a fundação vai requerer junto de várias instituições, como o Ministério da Educação e a Fundação Gulbenkian.
Para mais informações sobre a Fundação Humberto Delgado:
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